Embaixador do Brasil volta para Quito após consultas
da Folha Online
da France Presse
O embaixador do Brasil em Quito, Antonio Marques Porto, retornou nesta terça-feira (13) para a capital equatoriana após permanecer em consultas no Brasil devido ao impasse causado pela construção de uma hidrelétrica no país.
Porto estava no Brasil desde novembro porque o Equador questionou um crédito brasileiro contraído com o BNDES para a construção da Hidrelétrica de San Francisco. O governo equatoriano classificou a dívida, de US$ 242,9 milhões, como ilegal graças a problemas que levaram ao fechamento da usina em junho.
Na semana passada, o Itamaraty informou que parte da dívida foi paga na quinta-feira passada (8) e, com isso, o embaixador poderia voltar ao país.
O retorno do diplomata "prevê o reinício de uma frutífera relação bilateral que se consolidará no novo cenário de cooperação e integração promovido pelos presidentes [do Equador] Rafael Correa e Luiz Inácio Lula da Silva", destacou o Ministério das Relações Exteriores do Equador.
O comunicado acrescenta que o esforço diplomático de Quito "produziu o resultado esperado, que é o pleno restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, sem menosprezar a reivindicação dos interesses nacionais".
Na segunda-feira, o chanceler equatoriano, Fander Falconí, deu por superado o imbróglio diplomático com o Brasil, depois da autorização do retorno de Marques Porto, no fim de semana.
Entenda a crise
Após a usina de San Francisco, inaugurada no final de 2007, ser fechada, o Equador anunciou que recorreria à Câmara de Comércio Internacional (CCI) de Paris com o objetivo de não pagar o empréstimo. O país buscava ajuda internacional para definir a legalidade da dívida.
A construção da usina ficou a cargo da Odebrecht. A empresa foi questionada pelo Equador quanto ao serviço prestado na construção e o presidente Rafael Correa expulsou a empresa do país.
O ato irritou o Brasil e fez com que o embaixador brasileiro fosse retirado do país em novembro. Na ocasião, a então chanceler do Equador, María Isabel Salvador, criticou a decisão brasileira em resposta à medida equatoriana.
"Trata-se de um tema exclusivamente comercial e financeiro, não se trata de uma situação de um Estado contra outro. Por isso, ficamos tristes ao ver que um tema exclusivamente entre duas empresas tenha sido elevado a um nível diplomático", afirmou.
Rafael Correa disse, na ocasião, que o Brasil queria transformar uma questão comercial em um impasse diplomático. No fim de dezembro, o governo do Equador anunciou que havia pago uma parcela de US$ 28,1 milhões ao BNDES, com o qual mantém uma disputa comercial em uma corte internacional.
Segundo a nota, o governo brasileiro diz que "continuará a acompanhar com atenção a evolução de suas relações econômicas e financeiras com o Equador." O Ministério das Relações Exteriores brasileiro não revelou a quantia que foi paga pelo governo equatoriano.
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