Mundo
14/01/2009 - 10h42

Oficial de cúpula do governo Bush admite tortura em Guantánamo

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da Folha Online

Um oficial de cúpula do governo do presidente americano, George W. Bush, admitiu em uma entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal "Washington Post" que o saudita Mohammed al Qahtani, acusado de envolvimento nos ataques de 11 de Setembro, foi torturado na prisão da base de Guantánamo, em Cuba --onde continua preso. "O tratamento dado a ele encaixa nas definições legais de tortura", afirmou Susan J. Crawford.

Conforme o jornal, Crawford, 61, é uma juíza aposentada que serviu como conselheira geral do Exército no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e como uma inspetora do Pentágono quando o atual vice-presidente, Dick Cheney, era secretário de Defesa de Bush (1989-1993). Em fevereiro do ano passado, Crawford foi designada por Cheney para decidir quais presos de Guantánamo devem ser julgados.

Michael Reynolds/Efe
Manifestantes vestidos como detentos de Guantánamo protestam, na cidade de Washington, contra a existência da prisão americana
Manifestantes vestidos como detentos de Guantánamo protestam, na cidade de Washington, contra a existência da prisão americana

Com a entrevista, Crawford torna-se a primeira oficial de cúpula da administração Bush --que termina em menos de uma semana, no próximo dia 20-- responsável por revisar práticas de Guantánamo a admitir publicamente a ocorrência de tortura. "As técnicas usadas eram todas autorizadas, mas a maneira como elas foram aplicadas foi muito agressiva e persistente."

Bush e Cheney negam que suas "técnicas" possam ser classificadas como torturas.

"Quando você pensa em tortura, pensa em atos físicos terríveis praticados contra alguém. Mas não houve um ato específico. Foi uma combinação de coisas que tiveram um impacto médico sobre ele, que prejudicaram sua saúde. Foi abusivo e desnecessário. E coercitivo. Claramente coercitivo."

Qahtani teve sua entrada nos EUA negada um mês antes do 11 de Setembro. Mais tarde, ele foi preso no Afeganistão e, em janeiro de 2002, enviado a Guantánamo. Os interrogatórios de Qahtani duraram mais de 50 dias, entre novembro de 2002 e janeiro de 2003. Depois disso, o saudita ficou isolado até abril de 2003. "Por 160 dias, o único contato foi em interrogatórios."

"Em 54 dias, ele foi interrogado em 48 dias consecutivos, durante 18 horas a 20 horas. Ele foi colocado nu diante de uma agente feminina. Foi submetido a revistas íntimas. Teve a mãe e a irmã insultadas", ressalta a agente do governo americano. Crawford conta ainda que Qahtani foi "obrigado a usar sutiã e a colocar uma calcinha na cabeça, nos interrogatórios".

Com uma coleira presa às correntes, o prisioneiro foi arrastado pela sala de interrogatórios e forçado a "imitar truques de cachorros".

"Os interrogatórios foram tão intensos que Qahtani precisou ser hospitalizado duas vezes em Guantánamo com braquicardia, uma situação na qual a frequência cardíaca fica abaixo de 60 por minuto e que, em casos extremos, pode levar à falência cardíaca e à morte", diz o "WP".

Crawford, embora admita a tortura, diz acreditar que o saudita participaria dos atentados, se não tivesse tido o visto para os EUA recusado. "Ele é um homem perigoso. E o que faremos, senão acusá-lo e julgá-lo? Eu hesitaria em dizer 'soltem-no'." Essa decisão sobre o futuro do saudita caberá, a partir do próximo dia 20, ao presidente eleito, Barack Obama. Obama já afirmou que, uma vez empossado, seu primeiro ato será ordenar o fechamento de Guantánamo.

Em maio do ano passado, Crawford ordenou que as acusações de crimes de guerra feitas a Qahtani fossem retiradas.

"Eu estava chocada. Estava triste. Estava envergonhada. Se tolerarmos e permitirmos isso, então como poderemos reclamar quando nossos homens e mulheres, e outros no exterior, foram capturados e submetidos às mesmas técnicas? Onde estará nossa autoridade moral para reclamar? Bom, talvez a tenhamos perdido."

Comentários dos leitores
Armando Malato (180) 10/07/2009 08h56
Armando Malato (180) 10/07/2009 08h56
O "CARA", vai daqui do Brasil, que enfrenta problemas serissimos, como a crise do Senado e outros mais, em viagem carissima que o povo paga, para divertir-se em bate-papos sobre futebol e entrega de camisa autografada ao presidente Obama. Será que o Lula, não terá coisas mais interessantes e sérias para fazer aqui no Brasil, ao invés de estar servindo de Embaixador da CBF, nos Estados Unidos, dando prioridade a um assunto tão irrelevante como este. Precisa que este nosso Presidente, pare mais um pouco de viajar, afim de poder tomar conta e "saber das coisas" que acontecem no País que governa, fazendo, inclusive, uma bôa economia de gastos para os cofres publicos. sem opinião
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Haremhab Hassan (120) 10/07/2009 05h11
Haremhab Hassan (120) 10/07/2009 05h11
"Viagem na maionese", imaginando que Lulla está abafando, os gringos estão tirando a maior onda com a cara dele, ou pensam que eles não tem conhecimento do que se passa por aqui?Obama só está fazendo média com todo mundo, os americanos são e continuarão sendo, os mesmos arrogantes de sempre...tudo teatro pra galera aplaudir...só trouxa que não percebe.Alias, quem manda no EUA, não é o Obama, que distribui "falsos elogios à todos"...quem manda são as corporações...alguém por aqui já ouviu falar do grupo, intitulado "Bilderberg"??? 2 opiniões
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Julião Villas (134) 10/07/2009 02h51
Julião Villas (134) 10/07/2009 02h51
dá-lhe lula!
presidentes ficam todos soltinhos nesses encontros, tem a hora de levar a sério e a hora de discontrair. e quem reclamar aqui, vá pescar.
mas o obama pedir, obama agradecer e obama elogiar mostra um EUA muito mais miudo para a situação, será essa uma nova tática de dominio ou será que quem tá chegando de mansinho é o lula mesmo?
sem opinião
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