Mundo
16/01/2009 - 19h28

Esquerda se une a muçulmanos em manifestação pró-palestinos em SP

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GISELLI SOUZA
colaboração para a Folha Online

Representantes de partidos de esquerda em São Paulo se uniram nesta sexta-feira a manifestantes de associações muçulmanas para protestar contra a ofensiva israelense na faixa de Gaza. Nos últimos dias, o PT divulgou uma nota em repúdio aos ataques tendo causado indignação de entidades judaicas.

Giselli Souza/Folha Online
Muçulmanos reúnem 150 protestantes em São Paulo contra ofensiva na faixa de Gaza
Muçulmanos reúnem 150 protestantes em São Paulo contra ofensiva na faixa de Gaza

Cerca de 150 pessoas --segundo a Polícia Militar-- entre militantes do PSOL, PC do B e muçulmanos fizeram concentração na praça da República, em São Paulo, e seguiram para a praça da Sé onde acenderão velas em homenagem aos 1.100 mortos --grande parte civis-- na noite desta sexta-feira. Desde o início do conflito, em 27 de dezembro, 13 israelenses morreram.

Para o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), a ofensiva do Estado hebreu está relacionada com a proximidade da posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Eles [Israel] resolveram atacar neste momento para conseguirem um maior poder de negociação para a expansão do território deles. É provável que tenha um cessar-fogo nos próximos dias em razão da posse do Obama", afirmou Valente que disse "estar ao lado dos palestinos contra o genocídio que ocorre em Gaza".

Reportagem divulgada pela Folha revelou que representantes da ala moderada e da linha dura em Israel esperam com ansiedade a posse de Obama, no próximo dia 20, quanto a eleição geral no país, em 10 de fevereiro. Para os moderados, hoje minoritários na política israelense, Obama deve ter como prioridade pressionar pela assinatura de um acordo definitivo com os palestinos, sob o princípio dos dois Estados.

EUA

Para Valente, os Estados Unidos tem grande força na possível criação do Estado palestino, mas falta vontade política. "A indicação de Hillary Clinton [para a secretaria de Estado dos EUA] é uma demonstração de que não será feito muita coisa. Se ela estiver interessada em fazer um acordo de paz, certamente enfrentará uma grande resistência", disse Valente que define a ofensiva de Israel como um "crime contra humanidade, uma guerra sem precedentes".

Giselli Souza/Folha Online
Ivan Valente faz discurso em prol dos palestinos durante manifestação na capital
Ivan Valente faz discurso em prol dos palestinos durante manifestação na capital

Com faixas e cartazes com fotos de crianças mortas no conflito, os muçulmanos pediram paz e gritaram palavras de ordem como: "Estado de Israel, Estado assassino". O vereador Jamil Murad (PC do B), presente em outras manifestações semelhantes, fez um discurso para a população de passagem pela praça da República e relembrou os ataques de israelenses contra um prédio da ONU (Organização das Nações Unidas).

"Vamos vencer a batalha. Nossa causa é justa e nós vamos ganhar [...] Eles não querem que o povo palestino tenha a terra deles. Eles só pensam na pátria Israel", disse Murad ao lado da mulher do educador Paulo Freire (1921-1997), Anita Freire, que também discursou em defesa dos palestinos.

Nos últimos dias, várias manifestações de apoio ao povo palestino têm sido realizadas nas ruas de São Paulo. No último dia 7, 700 manifestantes interditaram ruas do Brás, região central, para pedir pelo fim dos ataques em Gaza.

 

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