Hamas recupera controle da Cidade de Gaza; tropas sairão antes da posse de Obama
da Folha Online
As forças policiais do movimento islâmico radical Hamas retomaram nesta segunda-feira o controle da Cidade de Gaza, o primeiro passo da retirada das tropas de Israel, que deve ser concluída antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.
Dezenas de agentes da polícia do Hamas retornaram esta manhã às ruas principais da Cidade de Gaza, onde tentavam organizar o trânsito.
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Depois de 22 dias de uma grande ofensiva militar israelense contra alvos do Hamas na faixa de Gaza, o cenário no território palestino voltou ao rotineiro. As ruas da cidade estão repletas de gente que, após semanas de clausura, pôde sair finalmente para visitar seus familiares, avaliar os danos e começar a retornar à normalidade.
| Ronen Zvulun/Reuters |
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| Soldados israelenses guardam fronteira com a faixa de Gaza; tropas iniciaram retirada parcial |
Fontes médicas palestinas informam que mais de 1.200 pessoas, a maioria civis, morreram em Gaza durante os 22 dias do conflito, iniciado no último dia 27 de dezembro com o objetivo de enfraquecer o Hamas e interromper o lançamento de foguetes pelo grupo.
No mesmo período, 13 israelenses morreram, quatro atingidos por foguetes lançados pelo grupo palestino Hamas contra o sul de Israel --três civis-- e dez soldados mortos em ação.
Israel declarou cessar-fogo unilateral na noite de sábado (17), quando o primeiro-ministro, Ehud Olmert, afirmou que os objetivos da ofensiva foram alcançados. Menos de seis horas depois, a trégua foi rompida quando soldados responderam ao ataque de foguetes de militantes palestinos. Horas depois, o próprio Hamas declarou cessar-fogo de uma semana para que as tropas israelenses pudessem deixar o território que está sob seu controle desde junho de 2007.
Danos
Sem os bombardeios constantes, o governo do Hamas começa a avaliar os danos. Segundo o Ministério da Saúde, as vítimas são mais de 1.300 e os feridos superam os 5.500. O Ministério da Habitação na região apresentou os primeiros dados de danos, que cifram o número de casas totalmente destruídas em 4.000 e danificadas mais de 20 mil.
Além da polícia, os ministérios e instituições públicas começaram também a voltar ao trabalho. "Apesar de o ministro do Interior, Said Siyam, ter sido assassinado durante a guerra, o ministério continua seu trabalho com base em um plano de segurança que ele aprovou", declarou aos jornalistas Ihab al-Ghusein, porta-voz desse ministério em Gaza.
Segundo Al Ghusein, o ministro trabalhará para manter e proteger a frente interna palestina, porque isso ajudará a apoiar a resistência armada contra as agressões.
O líder máximo do Hamas em Gaza, Ismael Haniyeh, afirmou neste domingo (18) em mensagem televisionada que considerou o cessar-fogo um "triunfo" que "tem que abrir uma porta para o diálogo e a reconciliação interna".
Apesar da trégua, no norte de Gaza foram registrados combates entre os poucos milicianos que ainda não aceitaram o cessar-fogo e as tropas israelenses que continuam no território, segundo cadeias de rádio locais.
A maior parte das facções palestinas e seus braços armados aceitaram neste domingo (18) responder o cessar-fogo unilateral de Israel com uma cessação das hostilidades de uma semana, mas alguns grupos, como a Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP), rejeitaram deixar de lutar antes que as tropas israelenses abandonem totalmente seu território.
Obama
A retirada parcial das tropas israelenses de Gaza deve ser completada antes da posse de Obama nesta terça-feira (20), em Washington, segundo os jornais israelenses "Yedioth Ahronoth" e "Jerusalem Post".
Se não for registrado nenhum incidente, as forças israelenses teriam completado sua retirada da faixa palestina antes das 17h desta terça-feira (20), afirma a versão digital do periódico, que cita fontes governamentais.
A rápida saída de tropas seria um sinal para a nova administração americana, com a qual Israel espera continuar cooperando em matéria de antiterrorismo e para evitar o tráfico de armas para Gaza.
Já analistas apontam que a saída antes da posse do democrata é um sinal de que Israel reconhece que Obama não deve apoiar incondicionalmente sua ofensiva, assim como fez o republicano George W. Bush, durante seu governo.
"Se o cessar-fogo for respeitado, então queremos ir o mais rápido possível", afirmou Mark Regev, porta-voz de Olmert, que declinou, no entanto, confirmar se a retirada se completará nos dois próximos dias.
"Israel deixará completamente a faixa. Não queremos ocupar lugar algum de Gaza", acrescentou.
Segundo o "Jerusalem Post", a decisão de retirar as tropas antes da chegada de Obama à Casa Branca foi divulgada por Olmert em jantar neste domingo com líderes europeus, que estavam na região para mediar um acordo de cessar-fogo.
"Nós não fizemos isso para conquistar Gaza. Nós não queremos controlar Gaza. Nós não queremos ficar em Gaza e pretendemos deixá-la o mais rápido possível", disse Olmert, aos líderes do Reino Unido, França, ALemanha, Espanha, Itália e República Tcheca.
Com Efe
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