Mundo
21/01/2009 - 08h21

Veja principais desafios de Barack Obama como presidente dos EUA

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da Folha Online

Depois de uma eleição histórica, o democrata Barack Obama se tornou nesta terça-feira o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e agora terá de tirar o país da maior crise financeira desde a Grande Depressão, nos anos 1930, entre outros desafios.

Com o apoio da maioria conquistada no Congresso, Obama tomou posse com o peso da desaceleração econômica e o fantasma da recessão assombrando os americanos. No mundo, ele assume com o peso de suas promessas de ampliar relações, encerrar a Guerra do Iraque e derrotar a Al Qaeda no Afeganistão.

Molly Riley/Efe
Barack Obama assina sua primeira ata como presidente depois de jurar seu cargo como 44º presidente dos Estados Unidos
Barack Obama assina sua primeira ata como presidente depois de jurar seu cargo como 44º presidente dos Estados Unidos

"O caminho será longo. Nossa subida será íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato", disse o presidente eleito, em seu discurso de vitória a 200 mil espectadores no parque Grant, em Chicago, no último dia 4 de novembro.

Obama foi eleito em uma votação que teve comparecimento recorde nos EUA. Segundo
as estimativas do Real Clear Politics, a disputa levou quase 66% dos 153,1 milhões eleitores registrados às urnas. Isso significa a maior taxa de participação desde 1908, quando restrições impediam todos os americanos de votar.

O democrata, apontam os analistas, entusiasmou os eleitores americanos com as promessas de mudança em um ano que o presidente George W. Bush enfrentou as piores taxas de aprovação das últimas décadas. Agora, terá de provar como, exatamente, trará novos ares para Washington.

"Ele vai chegar no governo e perceber que não tem dinheiro para as promessas que fez e aí estará diante de decisões difíceis e impopulares", afirmou Donald Kettl, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia.

Obama enfrentará não apenas o curto orçamento, mas o desafio de transformar suas promessas de campanha sobre impostos, saúde, energia e educação em um grupo de prioridades do Legislativo para os seus dois primeiros anos no poder.

A habilidade de Obama para administrar as relações com os líderes democratas no Congresso, com os republicanos, e com congressistas liberais com agenda própria também terá forte influência sobre seu mandato.

Economia

Se os desafios são muitos, a prioridade de Obama será a economia. O democrata vai se deparar com um país arrasado. O Departamento do Tesouro triplicou suas expectativas de venda de títulos de dívida para ajudar a financiar o déficit orçamentário. Um pacote anticrise servirá de teste para alta popularidade do "herói" Obama.

Ron Edmonds/AP
Barack Obama, que assumiu a Presidência dos EUA, discursa em cerimônia de posse
Barack Obama, que assumiu a Presidência dos EUA, discursa em cerimônia de posse

O déficit é um reflexo da crise financeira pela qual passam os EUA: a bolha no mercado de hipotecas de risco estourou, arrastando para baixo os mercados financeiros no mundo todo. Os reflexos na economia já ameaçam o desempenho do país: no trimestre passado, a economia americana teve retração de 0,3%, sinalizando uma recessão --definida como dois trimestres consecutivos de retração do PIB (Produto Interno Bruto).

O governo tentou em fevereiro de 2008 estimular a economia com um pacote de US$ 168 bilhões em cheques de restituição de impostos aos contribuintes. A medida teve efeito moderado no segundo trimestre. Em setembro, no entanto, com a quebra do banco Lehman Brothers, a crise ganhou novo fôlego.

Depois disso, o governo americano aprovou um pacote de US$ 700 bilhões para impedir novas quebras. Mesmo assim, a economia ainda patina e corre o risco de afundar: desde 2008 a economia americana fechou postos de trabalho e a taxa de desemprego está em 7,2%.

Política Externa

AP
Provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, toma café-da-manhã com soldados americanos no Afeganistão
Barack Obama, toma café-da-manhã com soldados americanos no Afeganistão, quando ainda era candidato à Presidência

Embora apenas 9% dos eleitores tenham indicado o terrorismo, segundo pesquisas de boca-de-urna da CNN, um dos principais desafios do governo de Obama é definir o futuro da guerra contra o terror.

Sete anos depois da invasão do Afeganistão pelos EUA, o Taleban e a Al Qaeda intensificam os ataques no vizinho Paquistão em um claro sinal de que não estão dispostos a recuar. E para retomar uma ofensiva capaz de cumprir sua promessa de acabar com a Al qaeda e derrotar Osama bin Laden, Obama precisará do apoio dos aliados europeus, que não sinalizam estar dispostos a investir mais soldados e dinheiro nos conflitos liderados pelos EUA.

O democrata terá ainda que cumprir a promessa de retirar as tropas americanas do Iraque, prioridade "desde o primeiro dia" de seu governo. Embora a guerra tenha se tornado impopular entre os americanos, que não entendem os gastos de US$ 10 milhões mensais com um conflito externo diante da crise na economia, a redução da violência no Iraque criou um consenso de que a coalizão americana ajudou.

Obama prometeu retirar as tropas em até 16 meses de seu mandato, mas não disse como isso pode influenciar na segurança dos iraquianos e na prevenção do crescimento de ataques terroristas no país, diante de um governo iraquiano ainda em formação.

Teste

Na ocasião da eleição, o vice-presidente, Joe Biden, previu que o novo presidente seria testado por uma crise internacional. As apostas são que o teste venha do Irã, país considerado inimigo dos EUA e que insiste em manter um programa nuclear, apesar de sanções e críticas duras da administração Bush.

Com as agências de inteligência americanas incapazes de encontrar prova de que o programa nuclear iraniano visa a criação de armas e a pouca efetividade das sanções diplomáticas, Obama terá que enfrentar uma dura decisão sobre uma possível ofensiva militar.

O teste internacional de Obama inclui ainda o progresso das negociações de paz entre palestinos e israelenses. Após três semanas de confronto na faixa de Gaza, Israel e Hamas declararam frágeis tréguas unilaterais. Os grupos palestinos continuam profundamente divididos, e um acordo de paz parece inviável a médio-prazo.

Obama parece reconhecer o tamanho dos desafios que o esperam na Casa Branca. "Haverá atrasos e falsos inícios. Muitos não irão concordar com todas as decisões ou políticas que eu vou adotar como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas", disse em seu primeiro discurso como presidente eleito.

"Mas eu sempre serei honesto com vocês sobre os desafios que enfrentar. Eu vou ouvir vocês, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, eu vou pedir que vocês participem do trabalho de refazer esta nação, do jeito que tem sido feito na América há 221 anos --bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada".

Comentários dos leitores
eduardo de souza (499) 01/12/2009 19h26
eduardo de souza (499) 01/12/2009 19h26
Como anunciar o fim da guerra no Afeganistão, que guerra? Essa que estão fazendo para ter o domínio do território assegurando os oleodutos que lá atravessam. Que guerra Barak Obama, essa que a nação americana financiou para as empresas privadas? Que guerra? Essa que fazem, não importa aonde, visando lucros com vendas de armas, controle de posição de exécito em outros continentes... Um dia estará escrito na história humana um capítulo assemelhando voces com o tão temido e odiado líder alemão da segunda guerra mundial. Dirá a história, que num curto espaço de tempo, dois "monstros" foram o martírio da humanide. sem opinião
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Henrique Silva (201) 01/12/2009 00h44
Henrique Silva (201) 01/12/2009 00h44
Nos EUA a situação da saúde para quem não tem seguro-saúde é infinitamente pior que a situação de um trabalhador brasileiro que depende do SUS. Fazer um sistema de saúde que garanta atendimento básico na maior potência econômica do mundo é muito importante não só para o povo americano pobre, mas para a imagem dos EUA no mundo. sem opinião
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Carlos Gonçalves (418) 30/11/2009 19h52
Carlos Gonçalves (418) 30/11/2009 19h52
George Bush pai fooooi amigo do pai de Bin Ladem. George Bush filho foi amigo e sócio do Salem Bin Ladem , irmão de Osama. O Bush filho teve tres sócios, dois quebraram e Salem morreu de acidente de avião, conveniente, quem ficou com os despojos?
Osama foi treinado pela CIA, à época do domínio soviético no Afeganistão. 32 mil rebeldes, aquela época, venceram e expulsaram os soviéticos. Hoje, como são contra os americanos, são chamados de terroristas. Engraçado não é.? Todos sabem que o Afeganistão é estratégico para os EUA que se dirigem países com desinência -ão: Turquistão, azerbaijão, Casaquistão...
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