Mundo
22/01/2009 - 07h47

Corte de Israel veta decisão de barrar partidos árabes

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da Folha de S.Paulo

A Suprema Corte de Israel anulou ontem uma decisão da Comissão Central das Eleições, órgão do Parlamento israelense responsável pelos processos eleitorais, que pretendia barrar a participação nas legislativas marcadas para 10 de fevereiro de duas legendas que representam a minoria árabe do país.

Com a decisão, os partidos Lista Árabe Unida (centro) e Balad (esquerda), que juntos ocupam sete das 120 cadeiras do Knesset, Parlamento unicameral de Israel, poderão concorrer normalmente no pleito. "A batalha não acabou, pois a discriminação é hoje [um problema] central", disse Ahmed Tibi, deputado do Lista Árabe Unida, ao jornal "Haaretz".

A moção de veto havia sido elaborada na semana passada pelos partidos ultradireitistas Yisrael Beiteinu e União Nacional e teve o apoio da maioria da Comissão, incluindo deputados do Partido Trabalhista (centro-esquerda) e do Kadima (centro-direita), que integram a atual coalizão de governo.

A alegação era a de que as duas únicas agremiações integralmente formadas por árabes apoiam terroristas e negam o direito de existência de Israel.

Os partidos ultranacionalistas argumentam que os líderes políticos árabe-israelenses se posicionaram contra os ataques de Israel ao Hamas em Gaza e já visitaram "países inimigos" como Síria e Líbano.

Revoltado com a decisão da Suprema Corte de acatar o recurso apresentado pelos árabes, o deputado Avigdor Lieberman, autor da moção contra os dois partidos, disse que irá preparar um projeto de lei para retirar a cidadania israelense de "árabes desleais".

O caso evidencia o racha na vida pública e na sociedade israelense entre a maioria judaica (5,7 milhões) e a minoria árabe (1,4 milhão, cerca de 20% da população). Os árabes-israelenses são descendentes dos 160 mil árabes que ficaram em Israel após a primeira guerra árabe-israelense, em 1948. Durante o conflito, que se seguiu à rejeição árabe da partilha da Palestina, 700 mil foram expulsos do país ou fugiram.

Embora tenham se tornado cidadãos israelenses, os árabes sofreram vários tipos de discriminação. Até 1966, estavam submetidos à lei marcial. Os primeiros partidos árabes em Israel nasceram no final dos anos 60. O Hadash, comunista, reúne as duas comunidades. A Lista Árabe Unida e o Balad foram criados nos anos 90.

Embora hoje desfrutem dos mesmos direitos que os judeus, os árabes de Israel se sentem preteridos em distribuição de verbas e políticas sociais. Os árabes --muçulmanos e cristãos-- também são dispensados de serviço militar, obrigatório para os judeus. Isso acaba contribuindo para a discriminação, já que o serviço militar é fator de status e experiência na sociedade israelense.

Com Reuters

Comentários dos leitores
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Senhor Moderador, creio que uma filtragem melhor no comentários seria de grande agrado para as pessoas inteligentes da Folha. Comentários sem um pingo de fundamentos deveriam ser jogados na lata de lixo. As pessoas deveriam ler mais livros de História sobre o Conflito Israel-Palestino, Revolução Social Cubana e o pais persa do Irã. Opinião pessoal fora de contexto não agrada ninguem, somente aqueles que acreditam no que querem acreditar, fora da realidade. sem opinião
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Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h33
Qualquer um que tenha um mínimo de raciocínio jurídico entende o motivo pelo qual o Reino Unido pediu um mando de prisão para Livni, uma das responsáveis pela matança da Faixa de Gaza. Faltou pedir um mandado de prisão os demais dirigentes de Israel pela morte das 351 crianças palestinas...mas acho que com o tempo serão presos... como criminosos. sem opinião
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Marcello Sokal (93) 01/12/2009 16h49
Marcello Sokal (93) 01/12/2009 16h49
Vamos ver o que vai acontecer agora, mais uma vez fazem propostas para ganhar tempo,sabendo que não as poderão - e nem tem intenção - de cumprir. Esse congelamento não passa de outra farsa,para tentar enganar os incautos e mostar que são "bonzinhos", como se não fossem eles que tomam terras de outras pessoas na base dos tratores,tanques de 60 toneladas e soldados fortemente armados - normalmente no meio da noite,pois assim fica mais fácil de expulsar as pessoas e tornar seus atos menos visiveis - assim como agem os criminosos comuns,sorrateiros,no meio da madrugada....lamentável,mas instrutivo para que as pessoas saibam dos reais fatos... 6 opiniões
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