Mundo
22/01/2009 - 22h57

Obama ordena fim de Guantánamo e nomeia enviados a zonas de conflito

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da Folha Online
da Reuters

Em seu segundo dia de trabalho, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou nesta quinta-feira o fechamento da prisão na base de Guantánamo, proibiu a tortura e nomeou os enviados ao Oriente Médio e ao Afeganistão.

Agindo rapidamente para desfazer algumas das iniciativas de seu antecessor, o ex-presidente George W. Bush (2001-2009), Obama colocou o prazo de um ano para o fechamento de Guantánamo, baniu a tortura de suspeitos de terrorismo detidos na ilha cubana e ordenou também o fechamento das prisões secretas da CIA (inteligência americana) em outros países.

Matthew Cavanaugh/Efe
O presidente dos EUA, Barack Obama, e sua secretária de Estado, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, nesta quinta-feira
O presidente dos EUA, Barack Obama, e sua secretária de Estado, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, nesta quinta-feira

A prisão na base de Guantánamo, em Cuba --onde prisioneiros estão há anos detidos sem acusações, alguns sendo submetidos a métodos de tortura-- colaborou para danificar a imagem dos EUA no exterior.

"O mundo precisa entender que a América será inflexível na defesa de sua segurança e na busca daqueles que realizam atos terroristas ou ameaçam os Estados Unidos", disse o presidente, após assinar uma série de ordens executivas.

No entanto, ele afirmou que sua administração quer mandar "um sinal inconfundível de que nossas ações em defesa da liberdade serão tão justas quanto nossa causa".

Oriente Médio

Enquanto trabalha a portas fechadas com seus assessores sobre a crise econômica, Obama usou as primeiras aparições públicas para apresentar sua política externa e de segurança nacional. Nesta quinta-feira, Obama também tomou medidas para garantir maior transparência e responsabilidade por parte do Executivo.

"Não podemos mais ficar à deriva e não podemos mais permitir atrasos", disse Obama ao entrar na questão da diplomacia em visita ao Departamento de Estado, onde anunciou os enviados às zonas de conflito.

O ex-senador George Mitchell, diplomata experiente, foi nomeado para retomar as estagnadas conversas de paz entre israelenses e palestinos. Um dos alvos das críticas a Bush foi a pouca atenção que ele deu à questão em seus dois mandatos.

Matthew Cavanaugh/Efe
O presidente dos EUA, Barack Obama, antes de assinar três ordens executivas que determinam o fechamento de Guantánamo
O presidente dos EUA, Barack Obama, antes de assinar três ordens executivas que determinam o fechamento de Guantánamo

Obama firmou que os EUA irão "ativa e agressivamente buscar uma paz duradoura entre Israel e os palestinos, assim como entre Israel e seus vizinhos árabes", além de trabalhar por um longo cessar-fogo na faixa de Gaza.

O presidente apoiou Israel em seu "direito de se defender" de ataques de foguetes realizados pelo grupo islâmico Hamas a partir de Gaza, mas também disse que é "intolerável" para os palestinos enfrentarem um "futuro sem esperança".

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região, declarou. Porém, os Estados Unidos estão comprometidos com a criação de dois Estados onde palestinos e israelenses poderão conviver juntos", completou.

Afeganistão

O ex-embaixador na ONU Richard Holbrooke foi nomeado como primeiro enviado dos EUA ao Afeganistão e Paquistão, região que ele classificou como "fronte central" na batalha contra o terrorismo.

O presidente também ordenou uma revisão integral da estratégia americana no Afeganistão. Ele quer que mais militares sejam enviados ao país. Acredita-se que o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden esteja na escondido na montanhosa fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.

Os anúncios surgem em meio ao esforço de Obama de solucionar os desafios na política externa deixados por Bush, enfatizados durante sua campanha presidencial.

A decisão do presidente de visitar o Departamento de Estado antes do Pentágono pode sinalizar a importância que a sua administração irá colocar na diplomacia em detrimento da força militar, na busca de solução de conflitos.

Obama não fez menções ao Irã, mas aparentemente se referia ao país persa quando disse: "indo adiante, devemos deixar claro a todos os países na região (do Oriente Médio) que o apoio externo a organizações terroristas deve acabar".

Ele afirma que irá se engajar em diplomacia direta com Teerã, em contraste com a abordagem de Bush, que tentou isolar o país.

Guantánamo

As ordens de Obama sobre Guantánamo, prisão criada por Bush após o 11 de Setembro, mostram sua determinação em reverter algumas das políticas de seu antecessor que despertaram a revolta dos defensores dos direitos humanos.

União Europeia, Nações Unidas e grupos de direitos humanos elogiaram as iniciativas. Porém, republicanos disseram que elas deixam muitas questões sem resposta, como por exemplo o destino dos prisioneiros considerados perigosos.

Outro decreto presidencial requer que a CIA feche as prisões secretas no exterior, que causaram controvérsia na Europa, e a proíbe de criar instalações semelhantes no futuro.

No fronte doméstico, Obama realizou seu segundo encontro diário com os principais assessores econômicos em busca de uma solução para a aguda crise econômica.

O nomeado pelo presidente para o Departamento do Tesouro, foi confirmado nesta quinta-feira pela Comissão de Finanças do Senado, e agora precisa da confirmação do plenário.

Comentários dos leitores
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
E lula responde á Carta do Obama...
Deve ter começado mais ou menos assim:
"Pô Obama, você não disse que eu era "o cara"? Então, eu acreditei, achei que era pra valer..."
A cumparenhada finalmente começa a acordar para a realidade, para o que eles são na verdade, ou seja nada, um zerão redondão á esquerda (que por coincidência, é o lado favorito deles...).
Lula agora, o ator enganador, se tornou o personagem principal daquele filme:
"O Rato que Ruge..."
Responder para Obama? Ele?
Só se for...
Sim senhor!
sem opinião
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Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Até quando os americanos podem matar e não serem responsáveis pelos crimes que cometem contra civilizações iraquiana, afegãs, entre outras.? 3 opiniões
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Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Os EUA influencia, ainda que sutilmente, decisões internacionais. Lula, no meu ponto de vista, fez certo em receber Ahmadinejad a fim de estabelecer, além de esclarecer sua posição em relação ao enriquecimento de urânio do Irã. Afirmando que apoia desde que seja para fins pacíficos, em outras palavras; desde que voces nao façam uma bomba atómica. O que prova ser contraditório, pois uma região como o Irã com tantos conflitos e uma notável instabilidade, pode intencionalmente criar armas nucleares a fim de se "precaverem". Lula reafirmou sua posiçao de nem lá nem cá. Concorda com o Irã, mas sem entrar em divergencia com os EUA. sem opinião
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