Mundo
29/01/2009 - 11h11

Greve nacional paralisa trens e metrô na França

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da Folha Online

A greve nacional dos trabalhadores franceses paralisou nesta quinta-feira trens e linhas de metrô, deixou milhares de crianças sem aula e reduziu as equipes em hospitais. O movimento foi organizado para marcar a grande preocupação com a crise econômica e exigir medidas de estímulo ao emprego no país, já que o governo pretende cortar 30 mil vagas.

Em Paris, quem não participa da greve enfrentou temperaturas baixas de bicicleta, a pé e até mesmo barcos para ir ao trabalho. Algumas linhas de metrô, ônibus e trens ainda funcionavam, contudo, obedecendo uma legislação de 2007 que garante um mínimo de transporte público a ser disponibilizado. Quem arriscou pegar o trem ou metrô enfrentou vagões lotados e enormes filas.

Lionel Cironneau/AP
Grevistas franceses fazem manifestação em Nice por maior intervenção do goveno
Grevistas franceses fazem manifestação em Nice por maior intervenção do goveno

Os funcionários do sistema de trens lideraram a marcha dos grevistas no que já anunciam como "Quinta-feira Negra" e foram acompanhados por trabalhadores do setor privado e outras áreas do funcionalismo público.

Um em cada três professores de escola e um em cada quatro funcionários do correio e da companhia de energia elétrica EDF participam da greve. Com a greve, o país ficou sem 11 mil megawatts de capacidade de energia, indicam os sindicatos. A EDF afirma que o fornecimento aos consumidores não será afetado.

As manifestações estão programadas para acontecer ao longo de todo o dia, em cerca de 200 cidades. Milhares de professores, funcionários do correio e de hospitais não foram trabalhar. Muitos bancos foram fechados e alguns operários que foram cortados por causa da crise também participam da manifestação.

A greve dos franceses, povo que tem histórico de protestos e manifestações, visa ainda destacar o descontentamento dos trabalhadores com o governo do presidente, Nicolas Sarkozy, que está relutante em ajudar os consumidores.

Muitos, contudo, pareciam ignorar a primeira grande greve do ano. "Eu não sou contra as pessoas fazerem manifestações para defender seus interesses e seus benefícios como eles dizem, mas esta é realmente a melhor hora para fazê-lo considerando tudo que passamos com a crise econômica?", disse Pierre Rattier.

A greve afeta diretamente o governo conservador de Sarkozy, que espera que o movimento seja encerrado hoje e não ganhe impulso de contestação social.

O presidente preferiu moderar o discurso e até o momento não fez declarações sobre a greve. Seus apoiadores indicam que ele acompanha a greve do Palácio Elysee. Nesta terça-feira (27), ele disse que "ouvia as preocupações dos franceses e as levava em conta".

Os líderes dos grevistas afirmam que a França deveria seguir o exemplo do Reino Unido e oferecer auxílio aos consumidores. "Por vários meses, especialmente desde que a crise explodiu, nós temos pedido que o governo tome várias medidas, notavelmente para ajudar a alavancar o consumo", disse Jean-Claude Mailly, chefe da Force Ouvriere. "Até agora nós não vimos nenhuma resposta e quando você não dialoga, recebe uma demonstração de força", completou.

Com agências internacionais

 

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