Mundo
29/01/2009 - 13h43

ONU atende feridos no Sri Lanka; indiano se mata em protesto contra ofensiva

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colaboração para a Folha Online

A ONU (Organização das Nações Unidas) removeu nesta quinta-feira centenas de pessoas com ferimentos graves, incluindo mais de 50 crianças, do nordeste do Sri Lanka, onde estão acontecendo combates entre as tropas do governo e os Tigres para Libertação da Pátria Tâmil, guerrilha que luta pela independência da região. Alguns dos feridos permaneceram vários dias sem poder sair da zona de conflito.

Gemunu Amarasinghe - 27.jan.2009/AP
Soldados do Sri Lanka marcham na cidade de Mullaittivu, depois de tomá-la da guerrilha
Soldados do Sri Lanka marcham na cidade de Mullaittivu, depois de tomá-la da guerrilha

"Cerca de 350 civis gravemente feridos, incluindo mais de 50 crianças, cruzaram a linha de frente", informou o porta-voz da ONU, Gordon Weiss, acrescentando que a evacuação foi o resultado de longas negociações com os rebeldes.

Um comboio de ambulâncias ficou retido durante vários dias em Puthukkudiriruppu, zona tâmil. Os feridos foram levados para hospitais na área controlada pelo governo.

Protestos na Índia

No sul da Índia, um homem tâmil morreu nesta quinta-feira, após atear fogo ao próprio corpo com querosene em frente a um prédio governamental para protestar contra a ofensiva militar do Sri Lanka contra os Tigres Tâmeis.

"A polícia o cercou e jogou um cobertor sobre ele para apagar o fogo", disse N. Murali, um oficial da polícia em Chennai, capital do Estado de Tamil Nadu. "'Eles então o levaram rapidamente para o hospital em uma viatura, mas não foi possível salvar sua vida."

Cerca de 60 milhões de indianos no Estado sulista de Tamil Nadu possuem fortes laços históricos e culturais com os tâmeis do Sri Lanka e têm protestado contra a ofensiva que está atingindo duramente a guerrilha.

Após uma série de grandes vitórias, as Forças Armadas do Sri Lanka acuaram os guerrilheiros em um trecho de floresta e estão lutando para acabar uma das guerras mais longas da Ásia. Agências humanitárias dizem que cerca de 250 mil civis estão presos no fogo cruzado.

O suicídio desta quinta-feira em Tamil Nadu aconteceu em meio a outros protestos no Estado contra o governo do Sri Lanka. Alguns estudantes começaram uma greve de fome nesta quinta-feira, e em outras cidades comerciantes fecharam as lojas em protesto contra a ação militar.

O partido que está no poder em Tamil Nadu, o Dravida Munnetra Kazhagam, é um dos pilares da coalizão que sustenta o governo da Índia e o tem pressionado a agir para salvar os tâmeis no Sri Lanka.

Arte/Folha Online
mapa Sri Lanka

Em uma tentativa de satisfazer o aliado, o governo do Partido do Congresso, que vai enfrentar eleições nos próximos meses, enviou o ministro das Relações Exteriores, Pranab Mukherjee, a Colombo nesta semana para discutir a segurança dos civis tâmeis.

Tensão étnica

A tensão entre a maioria cingalesa do Sri Lanka e a minoria tâmil se manifestou de forma clara após a independência do país, em 1948. Os Tigres Tâmeis surgiram em 1976, para lutar pela criação de um Estado independente no norte do país e é acusado pela polícia de ter matado líderes políticos e militares. Assim como outras guerrilhas, os tâmeis usam homens-bomba frequentemente durante suas ações.

A guerra aberta entre o grupo e o governo explodiu em 1983 e matou matou dezenas de milhares de pessoas em duas décadas. Os dois lados assinaram um acordo de cessar-fogo, em fevereiro de 2002, mas a violência intensificou-se em 2006, e o governo recuperou o controle da Província Oriental, em 2007. Em janeiro de 2008, o governo suspendeu oficialmente o cessar-fogo.

Com France Presse, Efe e Reuters

 

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