Washington estuda enviar alto diplomata para negociar com Irã
da Folha Online
O governo do novo presidente americano, Barack Obama, estuda enviar um alto diplomata para negociar com o regime iraniano, com o qual Washington é rompido desde 1979. A medida é mais um sinal da mudança nas relações entre Irã e EUA com a chegada do democrata à Casa Branca, informa reportagem de Sérgio Dávila, publicada nesta sexta-feira na Folha (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).
O escolhido seria Dennis Ross, um veterano das negociações de paz entre Israel e palestinos sob Bill Clinton (1993-2001). Segundo Dávila, o anúncio deveria ter sido feito junto às indicações de outros dois enviados especiais --Richard Holbrooke, para Afeganistão e Paquistão, e George Mitchell, para o Oriente Médio.
O adiamento pode ter duas causas, segundo diplomatas, a Chancelaria não quis tirar a importância histórica do anúncio e decidiu fazê-lo separadamente; ou espera o resultado da eleição presidencial em junho, quando Mahmoud Ahmadinejad concorrerá à reeleição.
A saída de Ahmadinejad, considerado grande inimigo não apenas dos EUA mas também de Israel, importante aliado no Oriente Médio, abriria caminho para que os americanos estudassem reabrir sua embaixada em Teerã, fechada em 1980 após 444 dias sob o poder de estudantes radicais.
O nome de Ross voltou a circular dois dias depois de entrevista conciliatória dada por Obama à emissora Al Arabiya. Na entrevista, Obama afirmou que os EUA não são inimigos do mundo muçulmano.
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Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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