Índia reconhece esforço do Paquistão em investigar ataques a Mumbai
da Folha Online
O conselheiro de segurança nacional da Índia, M.K. Narayanan, admitiu neste fim de semana, em entrevista à rede de TV CNN-IBN, que o vizinho Paquistão está empenhado em investigar os atentados terroristas que mataram 172 pessoas na cidade de Mumbai, a capital financeira da Índia, em 26 de novembro do ano passado. "Pelo que sabemos, o Paquistão está fazendo tentativas de chegar à verdade."
Logo após os atentados, o governo indiano começou a acusar o grupo islâmico paquistanês Lashkar-e-Taiba de estar por trás do Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) --que, oficialmente, reivindicou a autoria dos ataques-- com base em depoimentos do único terrorista sobrevivente preso.
Mais tarde, a Índia entregou ao Paquistão um dossiê contendo as confissões do acusado que foi preso; a transcrição de gravações feitas por meio de grampos telefônicos; e uma lista dos armamentos de fabricação paquistanesa que foram usados nos ataques.
Conforme o conselheiro de segurança, depois da entrega do dossiê, o Paquistão enviou uma série de perguntas à Índia e obteve resposta. Depois, uma segunda lista de questionamentos foi encaminhada. "Eu admito que eles ainda precisam receber uma resposta para a segunda lista de perguntas", disse. "Certamente parece que estão levando as coisas a sério e agindo como o que se espera de uma agência investigativa", disse.
Na entrevista, apesar do tom conciliatório em relação às investigações, Narayanan ressaltou que as medidas adotadas pelo Paquistão contra os grupos islâmicos foram "cosméticas". "O que realmente queremos é que os mentores sejam levados à Justiça."
Narayanan concedeu a entrevista apenas dois dias depois que um alto comissário do Reino Unido afirmou que as investigações de Islamabad não encontraram provas de que todos os planos para os ataques em Mumbai tenham sido feitos no Paquistão.
Ataques
Os ataques terroristas coordenados atingiram regiões nobres de Mumbai, onde ficam dois de seus mais luxuosos hotéis, o Taj Mahal e o Oberoi Trident, o aeroporto internacional e o Café Leopold, frequentado por gente de Bollywood (a gigante indústria cinematográfica indiana).
Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, delegacias e um hospital.
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