Unicef liberta 85 crianças e jovens recrutados por milícias no Congo
da Folha Online
A mediação do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) permitiu a libertação, nos últimos dias, de 85 crianças e jovens recrutados pelas milícias mai-mai na Província de Kivu Norte, na República Democrática do Congo, anunciou nesta terça-feira a organização.
A porta-voz do Fundo, Veronique Taveau, informou que um primeiro grupo de 65 crianças e jovens (entre eles duas meninas) foi libertado na quinta-feira (29) e um segundo, com 20 (entre eles três meninas), no domingo (1º).
Os jovens libertados --com idades entre 7 e 17 anos-- foram atendidos imediatamente por funcionários do Unicef e por seus parceiros no Congo e levados a um centro para crianças desabrigadas que a organização possui na cidade de Goma. No local, recebem ajuda médica, psicológica e humanitária, acrescentou a porta-voz, que destacou que os menores estavam "famintos, traumatizados e aterrorizados".
O próximo passo, segundo Taveau, será localizar suas famílias, "o que nem sempre é fácil, porque às vezes se encontram em zonas do país aonde não é possível chegar por falta de segurança".
Outros dois mil jovens ainda estão em poder das milícias congolesas em Kivu Norte, segundo os cálculos do Unicef.
A porta-voz disse que as libertações ocorreram como resultados de "contatos e negociações que vinham sendo realizadas há algum tempo", mas não deu mais detalhes sobre o teor destas negociações.
Taveau afirmou que a agência da ONU espera que "em dois ou três meses seja libertado um grupo muito significativo dos menores recrutados, talvez 1.500", e, em um pouco mais de tempo, todos os sequestrados.
As agências humanitárias e o Unicef denunciaram em muitas ocasiões o recrutamento de menores no Congo tanto pelas milícias armadas quanto pelo Exército governamental. As crianças são recrutadas para servir de soldados, enquanto as meninas terminam frequentemente sendo escravas sexuais para a tropa.
Na semana passada, a Corte Penal Internacional (CPI) iniciou seu primeiro processo em Haia, contra o ex-chefe de milícia congolês Thomas Lubanga, acusado de crimes de guerra por utilizar meninos como soldados no Congo.
Lubanga, 48, é acusado de ter recrutado meninos menores de 15 anos para combater em sua milícia, a União de Patriotas Congoleses (UPC), na guerra civil em Ituri (leste do Congo), entre setembro de 2002 e agosto de 2003.
Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), ao menos 250 mil crianças ainda lutam em mais de dez países pelo mundo. Os ativistas dizem que o julgamento e condenação de Luganda deve mostrar ao mundo que recrutar crianças é crime.
Com Efe
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