Brasileiro descreve como "prazerosa" participação em resgate das Farc
da Efe, em Villavicencio
O coronel Achiles Furlan Neto, chefe do grupo de militares brasileiros que participa da missão humanitária que resgatou cinco reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nos últimos quatro dias, disse nesta quarta-feira que amanhã concluirá sua missão com "uma sensação prazerosa".
Segundo o compromisso assumido pelas Farc, está prevista para esta quinta a entrega do ex-deputado regional Sigifredo López, sequestrado pela guerrilha em 2002.
Em declarações à agência Efe, o coronel Furlan disse que ele e seus companheiros chegarão "esperançosos" para o resgate de amanhã, que tem como ponto de partida e de chegada a cidade de Cali, a 430 quilômetros de Bogotá.
Os dois helicópteros emprestados pelo governo do Brasil para ajudar nos resgates, que não estão armados e foram identificados com emblemas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), decolaram nesta quarta-feira de Villavicencio com destino a Cali.
Devido ao relevo acidentado, os encarregados da missão humanitária contrataram um piloto civil colombiano para guiar os militares brasileiros, disseram fontes da organização humanitária.
Poder participar "da libertação de cinco sequestrados que puderam se reencontrar com suas famílias é algo tão bonito que te faz seguir" adiante, declarou o brasileiro sobre a experiência.
Resgates
Nos dois resgates dos quais participaram, os pilotos brasileiros só souberam das coordenadas do local em que seria feita a entrega dos sequestrados depois que o helicóptero decolou.
Na primeira fase da operação, no último domingo, uma das testemunhas da operação, o jornalista colombiano Jorge Enrique Botero, declarou ao canal Telesur que as forças militares colombianas atrapalharam a missão humanitária com sobrevoos.
"Não sei nada" sobre interferências, declarou Furlan, que disse não poder falar dos contatos com as Farc nem do local das entregas, por não estar autorizado.
Diante dessas restrições, o coronel preferiu falar da "sensação prazerosa de ajudar as pessoas" da Colômbia e destacou que trabalhar para uma missão humanitária como esta é "uma honra".
"É muito bonito. Sentimo-nos bem e essa sensação é vivida por todos os membros da tripulação. A equipe deu todo seu apoio, até o membro da equipe que se encontra no Brasil deu seu apoio, que eu não me esqueça", ressaltou.
Furlan ressaltou que a concentração e o entrosamento da missão humanitária foi tão grande que sente ter encontrado "seis membros de uma nova família".
Formou-se "um laço que não existia de forma natural", disse.
Nesta terça-feira, depois da libertação do ex-governador Alan Jara, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou que ia entrar em contato com seu colega do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para agradecer o apoio dado à missão.
"Nós não temos mais palavras de agradecimento e assim nos expressamos ao chanceler do Brasil, ao presidente Lula e ao embaixador do Brasil na Colômbia, pela forma como eles, discretamente, silenciosamente e com o ânimo de cooperar, nos acompanharam neste processo", disse o governo colombiano, que anunciou uma visita do presidente Álvaro Uribe a Brasília para 17 de fevereiro.
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