Índia acusa serviço secreto paquistanês por atentados em Mumbai
colaboração para a Folha Online
A Índia acusou nesta sexta-feira, pela primeira vez, os serviços de inteligência do Paquistão de estarem envolvidos nos atentados cometidos em Mumbai, no fim de novembro de 2008, que mataram 172 pessoas.
Os ataques terroristas coordenados atingiram regiões nobres de Mumbai, onde ficam dois de seus mais luxuosos hotéis, o Taj Mahal e o Oberoi Trident, o aeroporto internacional e o Café Leopold, frequentado por gente de Bollywood (a gigante indústria cinematográfica indiana). Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, delegacias e um hospital.
| 27.11.08/Jayanta Shaw/Reuters |
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| Terroristas fizeram ações coordenadas em pontos de concentração de turistas em Mumbai, como hotéis de luxo, o aeroporto e um café |
"Os organizadores são e permanecem como clientes e criações do ISI (serviço secreto paquistanês, sigla em português)", disse o secretário indiano de Assuntos Exteriores, Shivshankar Menon, em um discurso pronunciado no Instituto Francês das Relações Internacionais, nesta quinta-feira (5).
Em janeiro, Nova Déli transmitiu a Islamabad e outras 15 chancelarias um dossiê com provas que demonstram que os ataques de Mumbai, de 26 a 29 novembro, foram planejados, preparados e monitorados a partir do Paquistão, com supostamente cumplicidade das autoridades do país, segundo Menon.
O primeiro-ministro Manmohan Singh acusou agências oficiais do Estado paquistanês --sem mencionar um órgão de modo explícito- de terem apoiado os atentados. O Paquistão nega as acusações e afirma que faz a própria investigação.
Reconhecimento
Nos últimos dias, o conselheiro de segurança nacional da Índia, M.K. Narayanan, reconheceu os esforços do governo do Paquistão em investigar a autoria dos atentados. Na ocasião, a declaração foi concedida à rede de TV CNN-IBN.
Logo após os atentados, o governo indiano começou a acusar o grupo islâmico paquistanês Lashkar-e-Taiba de estar por trás do Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) --que, oficialmente, reivindicou a autoria dos ataques-- com base em depoimentos do único terrorista sobrevivente preso.
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