Após acusações, Morales quer trocar EUA por Rússia no combate ao narcotráfico
da Folha Online
O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou nesta sexta-feira (13) que substituirá a participação dos Estados Unidos em seus programas contra o narcotráfico pela a colaboração da Rússia. O anúncio veio após Morales acusar a divisão antidrogas da embaixada americana (NAS) de praticar uma "chantagem permanente" contra a Bolívia ao descumprir seu compromisso econômico para a erradicação dos cultivos de coca.
O presidente visitará Moscou na próxima segunda-feira (16) em busca de apoio para as operações, anunciou o próprio presidente, em entrevista à imprensa internacional, ocasião em que pediu para "não falar de temas de política interna".
Morales denunciou que a NAS não está cumprindo os acordos econômicos contraídos com a Bolívia com um propósito político para poder dizer que o governo não reduz os cultivos de coca e não luta contra o narcotráfico. No ano passado, a Bolívia destruiu cinco mil hectares de plantações ilegais da folha, mas, desde janeiro, essas atividades estão paralisadas, segundo o governo, devido à falta de apoio da NAS.
Depois de visitar a Rússia, Morales irá também à França, onde se encontrará com o presidente Nicolas Sarkozy, a quem pretende reforçar sua oposição à negociação bilateral de acordos comerciais entre países da Comunidade Andina e da União Europeia.
"A negociação de bloco a bloco permite a integração de nossos países. A negociação bilateral nos divide. Acredito que os europeus, com a experiência que têm, não apostem na divisão", explicou o presidente boliviano.
Parceiros
Morales declarou também sua confiança no apoio aos programas de ajuda social à Venezuela, que se estenderão para além de 2012, quando concluirá o mandato atual de Hugo Chávez, qualificado por Morales como "o presidente mais democrático, por submeter sua reeleição à consideração dos venezuelanos" no referendo deste domingo (15) --que, na prática, serve para estender o mandato de Chávez.
O mandatário também criticou a presença na Bolívia de um grupo de parlamentares peruanos, que chegou para investigar as atividades da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), bloco integrado por Cuba, Dominica, Bolívia, Honduras, Nicarágua e Venezuela.
No Peru, os setores conservadores se opõem à Alba, por considerá-la um instrumento de ingerência chavista na política interna de seus países-membros. Morales aproveitou a ocasião para pedir "respeitosamente" ao presidente peruano, Alan García, que os parlamentares "deixem de fazer investigações" na Bolívia.
O presidente expressou também a esperança de que a próxima reunião de chanceleres andinos retome o planejamento de submeter os tratados bilaterais ao interesse do bloco, na base do diálogo político. "Eu ainda continuo convencido de que os governos devam apostar em uma negociação de bloco a bloco", assegurou.
Com Ansa e Efe
Leia mais sobre a Bolívia
- Morales acusa divisão antidrogas dos EUA de chantagem
- Três tribos recorrem a nova Constituição e declaram autonomia na Bolívia
- Morales lança projeto de lei para convocar eleições gerais
Outras notícias internacionais
- General acusa Farc de oferecer recompensa por assassinato de policiais
- Empresários da Guatemala boicotam viagem a Cuba por homenagem a Castro
- Tripulação discutiu acúmulo de gelo nas asas antes de avião cair em Buffalo
Especial
Livraria

