Mundo
16/02/2009 - 08h54

Pela 1ª vez, Morales vai a Moscou negociar cooperação no setor de energia

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da Efe, em Moscou

O presidente da Bolívia, Evo Morales, chegou nesta segunda-feira a Moscou, na primeira visita à Rússia de um chefe de Estado boliviano, que busca impulsionar a colaboração bilateral, em particular, no âmbito da energia. O avião do líder boliviano aterrissou no aeroporto de Vnukovo, informou, deste terminal aéreo, a agência russa RIA Novosti.

Yuri Kochetkov/Efe
Evo Morales chega a Moscou para encontro com governo russo onde irá discutir acordo bilaterais, em especial, no setor de energia
Evo Morales chega a Moscou para encontro com governo russo onde irá discutir acordo bilaterais, em especial, no setor de energia

Morales, que ficará no Kremlin, se reunirá nesta terça-feira com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e se encontrará também com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin. Durante a estadia de pouco mais de 24 horas na capital russa, deve haver a assinatura de um acordo com o consórcio russo Gazprom, que prevê investimentos de até US$ 3 bilhões (R$ 6,78 bilhões) para a prospecção de novas jazidas de gás na Bolívia.

Trata-se, precisamente, de trabalhos de prospecção em três blocos situados no sudoeste da Bolívia, com reservas de gás potenciais de até 300 bilhões de metros cúbicos. Em setembro do ano passado, a Gazprom, a francesa Total e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) anunciaram a criação de uma sociedade para explorar novas reservas de gás e petróleo na Bolívia, com um investimento estimado em US$ 4,5 bilhões (R$ 10,17 bilhões)

Morales anunciou que suas conversas em Moscou explorarão também a possibilidade de captar investimentos para criar na Bolívia uma indústria de acumuladores de lítio, metal não-pesado nem poluente do qual o país sul-americano possui a metade das reservas mundiais.

"É a primeira visita de um chefe de Estado da Bolívia à Rússia na história de nossas relações diplomáticas e isso, obviamente, dá um caráter diferente a esta presença do presidente Morales" em Moscou, disse o embaixador boliviano no Kremlin, Sergio Sánchez Ballivián.

Diplomacia

A União Soviética, da qual Rússia é herdeira jurídica, e Bolívia estabeleceram relações diplomáticas em 18 de abril de 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial. A troca comercial entre os dois países é de apenas US$ 5 milhões (R$ 11,3 milhões) anuais e, enquanto a Rússia exporta à Bolívia fundamentalmente equipamentos técnicos, importa do país sul-americano frutas, café e mineral de estanho.

No entanto, apesar do pequeno volume das trocas, Sánchez Ballivián destacou que houve uma "gradativa aproximação entre Rússia e Bolívia, que se dinamizou muito a partir da gestão do presidente Morales".

"Esperamos que se concretizem importantes entendimentos e que sejam fortalecidas as relações entre os dois países em muitos âmbitos", afirmou Ballivián que citou o setor de energia como o mais promissor entre os acordos de cooperação.

O embaixador ressaltou que nem tudo na cooperação russo-boliviana se reduz ao âmbito dos hidrocarbonetos, já que "há outras áreas nas quais as duas partes têm grande interesse em desenvolver, fortalecer e projetar".

A visita de Morales ocorre em meio a uma política de aproximação entre Rússia e América Latina. O presidente boliviano é o quarto chefe de Estado latino-americano a visitar Moscou em pouco mais de dois meses. Antes, estiveram no Kremlin a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner; o chefe de Estado nicaraguense, Daniel Ortega, e o presidente de Cuba, Raúl Castro.

Em abril, está prevista a visita da presidente do Chile, Michelle Bachelet, enquanto o chefe do Estado venezuelano, Hugo Chávez, é presença frequente e parceiro privilegiado de Moscou.

"Nossa cooperação não é dirigida contra outros países e não está subordinada à conjuntura política", disse recentemente o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, ao explicar que a aproximação de Moscou aos países latino-americanos é fruto de "coincidências objetivas".

Segundo dados do Ministério de Exteriores russo, a troca comercial entre a Rússia e a América Latina aumenta anualmente entre 25% e 30%, e ficou em cerca de US$ 15 bilhões (R$ 33,9 bilhões) no ano passado.

 

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