Mundo
19/02/2009 - 07h24

Corte adia julgamento de jornalista que jogou sapatos em Bush para março

Publicidade

da Folha Online

O julgamento do jornalista iraquiano que jogou os sapatos na direção do então presidente americano George W. Bush foi adiado para próximo dia 12 de março. O anúncio foi feito pouco depois do início do processo, nesta quinta-feira em Bagdá, anunciou o presidente da Corte.

"Decidimos entrar em contato com o gabinete do primeiro-ministro para conhecer a natureza da visita do ex-presidente americano, para saber se era uma visita oficial ou não. Por isto adiamos a audiência para 12 de março", declarou o juiz Abdel Amir Hasan al Rubaie.

Evan Vucci-15dez.08/AP
Em coletiva de imprensa, jornalista protestou contra ocupação americana no Iraque e atirou o par de sapatos em George W. Bush
Em coletiva de imprensa, jornalista protestou contra ocupação americana no Iraque e atirou o par de sapatos em George W. Bush

Em 14 de dezembro de 2008, em plena entrevista coletiva de Bush em sua última visita ao país como presidente, Muntazer al Zaidi levantou bruscamente e gritou: "Este é o beijo de despedida, cachorro!" e lançou os sapatos em Bush, que conseguiu se esquivar. No Iraque, lançar os sapatos contra alguém é um ato de grave i insulto, já que os calçados ficam em constante contato com o chão.

Seu gesto ganhou repercussão mundial e ele é tratado como um herói no mundo árabe --que vê em Bush um grande inimigo.

O juiz tomou a decisão depois de ouvir o acusado sobre a natureza da visita de Bush, em 14 de dezembro de 2008. "Esta visita não era oficial porque não foi anunciada com antecedência", afirmou o jornalista. Para encerrar o debate, o juiz pediu esclarecimentos ao gabinete do primeiro-ministro, Nouri al Maliki.

Zaidi pode ser condenado a uma pena máxima de 15 anos de prisão por ter lançado seus sapatos contra Bush, um delito que pode estar dentro do artigo 222 do Código Penal iraquiano, que fala em "ataques a um chefe de Estado durante visita oficial". Por essa razão, é importante para o tribunal estabelecer se Bush foi formalmente convidado pelas autoridades iraquianas.

Ao entrar no tribunal, o repórter foi aplaudido pelos familiares, que gritaram frases em memória do imã Ali, figura sagrada para os muçulmanos xiitas.

"Seu ato se explica por razões psicológicas, sociais e políticas. Queria expressar seu repúdio pela ocupação", declarou o advogado Dhia al Sadi, antes de pedir a convocação de especialistas para explicar as motivações de seu cliente.

O jornalista pretendia alegar nesta quinta-feira que exerceu o direito à liberdade de expressão.

O repórter do canal Al Baghdadiya compareceu à Corte Criminal Central do Iraque, competente para os casos de terrorismo e situada na ultraprotegida Zona Verde de Bagdá.

"Exigimos a anulação do processo e a libertação", declarou Al Saadi, que dirige a equipe de defesa do jornalista, composta por 25 advogados.

Segundo o artigo 223 do Código Penal iraquiano, este gesto pode custar ao repórter de cinco a 15 anos de prisão, caso o juiz considere que foi "uma agressão caracterizada". Se o tribunal considerar que foi apenas uma "tentativa de agressão", ele fica sob a possibilidade de ser condenado a entre um e cinco anos de prisão.

Com Efe e France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca