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Legalização do aborto completa 30 anos nos EUA e gera polêmica
da France Presse, em WashingtonMilhões de defensores e críticos do direito ao aborto se mobilizam para lembrar hoje, em Washington, o 30º aniversário da legalização da interrupção voluntária da gravidez nos Estados Unidos.
Todos concordam em pelo menos uma coisa: o debate político sobre o aborto entrará novamente em pauta com a maioria republicana nas duas Casas do Congresso. Esta é a primeira vez que os republicanos têm o controle dos poderes Executivo e Legislativo desde a sentença da Suprema Corte que legalizou a interrupção voluntária da gravidez, em 1973.
Pia de Solenni, porta-voz do Conselho de Investigação Familiar, uma organização conservadora, se diz "prudentemente otimista" quanto à aplicação de uma nova lei que limite o aborto. "Temos um presidente e um Congresso republicanos, e esperamos que isso traga consequências", afirmou.
Aqueles que defendem o aborto não escondem sua preocupação. Temem que, no caso de postos vagos na Suprema Corte, o presidente George W. Bush nomeie apenas juízes socialmente conservadores, capazes de mudar a lei. "Estamos em uma situação muito perigosa", disse Marjorie Signer, porta-voz da coalizão religiosa Liberdade de Escolha. "Trinta anos depois [da legalização], a Corte apóia apenas teoricamente o direito das mulheres ao aborto, com cinco juízes e quatro contra", disse.
Os críticos do aborto são tão atuantes quanto os adversários e farão uma manifestação hoje, em frente ao Congresso. "Tentamos parar o terrorismo que se traduz todos os anos na morte diária em nosso país de pelo menos 4.000 crianças antes de seu nascimento", disse a presidente da Marcha pela Vida, Nelly Gray. As estatísticas mais recentes apontam que 1,3 milhão de abortos foram praticados nos Estados Unidos em 2000. Em 1990, foram 1,6 milhão.
Os defensores do aborto legal farão vigília diante da Suprema Corte e em diversos locais do país.
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