Mundo
21/02/2009 - 23h15

Síria quer ajudar na reconciliação palestina, diz John Kerry

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da Reuters
da Folha Online

A Síria mostrou sua intenção de ajudar a formar um governo de união palestino que poderia reiniciar as conversas de paz com Israel, disse neste sábado John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos.

A Síria, sob sanções impostas pelos EUA, abriga a liderança exilada do grupo radical islâmico Hamas e tem forte influência sobre a organização palestina.

"A Síria pode ser, de fato, de grande ajuda para formar um governo de unidade", disse o senador, após se reunir com o ditador sírio Bashar al Assad.

"Se você conseguir isso, então você tomou um grande passo adiante, não apenas para lidar com os problemas em Gaza, mas você tomou um grande passo nos termos de como você reinicia as discussões para uma solução de dois países (...) Acho que a Síria mostrou pra mim uma vontade de ajudar nessa questão."

O Hamas, que controla a faixa de Gaza desde junho de 2007, quando expulsou o rival secular Fatah, deve participar de conversas mediadas pelo Egito em busca da reconciliação. Washington apoia a iniciativa do Cairo, apesar de classificar o Hamas como organização terrorista.

O Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), não tem laços estreitos com a Síria. Abbas saiu das conversas de paz com Israel durante a ofensiva de 22 dias a Gaza, mas depois criticou o Hamas por decisões inconsequentes que levaram à invasão.

A Síria apoiou o Hamas durante o conflito, aumentando a divisão entre Damasco e Egito e Arábia Saudita, aliados americanos.

Mudança

Kerry, um dos vários parlamentares democratas a visitar a Síria desde a posse do presidente Barack Obama, no dia 20 de janeiro, disse que Damasco tem a oportunidade de aproveitar a nova administração de Washington.

"Acredito profundamente que esse é um momento importante de mudança, um momento de transformação em potencial, não apenas na relação entre os EUA e a Síria, mas no relacionamento da região", afirmou o democrata.

Assad já havia enfatizado o desejo sírio de ter um diálogo com a administração Obama após anos de tensão com os EUA durante a Presidência de George W. Bush (2001-2009). Damasco apoia e financia o movimento xiita libanês Hizbollah, e Washington acusa a Síria de permitir a entrada de insurgentes no Iraque.

"O que eu ouvi é uma grande vontade de compartilhar, em relação ao Iraque (...) ouvi uma linguagem forte sobre esperanças para o Líbano e as possibilidades de fornecer estabilidades", disse Kerry, político próximo de Obama.

Diplomatas em Damasco alertaram que qualquer mudança nas relações entre a Síria e os EUA não será rápida. Eles disseram que a Síria não dá sinais de que irá abandonar o apoio ao Hizbollah ou de que irá mudar a relação com o Irã.

Uma forte aliança entre os dois países irritou Washington, mas Obama diz que os EUA podem abrir um diálogo com a República Islâmica.

Washington retirou seu embaixador em Damasco após o assassinato do ex-premiê libanês Rafik al Hariri, em Beirute, em 2005.

 

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