Mundo
22/02/2009 - 21h39

Fracassa tentativa de Netanyahu por governo de união com Livni em Israel

Publicidade

da France Presse, em Jerusalém

Binyamin Netanyahu, líder do partido de direita Likud e encarregado de formar o próximo governo de Israel, não conseguiu convencer neste domingo a líder do centrista Kadima, Tzipi Livni, a participar do novo governo de união.

"Não obtivemos qualquer progresso nas questões essenciais. Há divergências profundas sobre a maneira de se chegar a um acordo baseado no princípio de dois Estados para dois povos, assim como sobre um acordo final com os palestinos", disse Livni à imprensa após uma reunião com Netanyahu em Jerusalém.

Bernat Armangue/AP
Tzipi Livni e Binyamin Netanyahu durante o encontro deste domingo, em Jerusalém
Tzipi Livni e Binyamin Netanyahu durante o encontro deste domingo, em Jerusalém

Apesar do impasse, a ministra das Relações Exteriores aceitou manter outra reunião com Netanyahu nos próximos dias.

Netanyahu se mostrou mais otimista e disse que vai insistir nas negociações para formar "um governo de união".

"Encontramos números pontos em comum, mas tudo isto exigirá novas reuniões. Sei que podemos encontrar um caminho comum", disse após o encontro com Livni.

"Vamos fixar as bases de um governo e outros partidos poderão se unir a nós. Se houver vontade, vamos encontrar uma solução", afirmou Netanyahu, que nesta segunda-feira se reunirá com o líder do partido Trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak.

Processo de paz

Antes do encontro com Livni, o líder da direita havia destacado que diante "dos enormes desafios que o Estado deve assumir, não há dúvida de que nosso objetivo primordial deve ser o de conseguir a união" no governo.

"Esperamos consegui-lo através do diálogo, e não através da força (...). Espero um governo de união que coopere com a administração [do presidente americano Barack] Obama".

Netanyahu teme especialmente as posições defendidas pelos partidos mais à direita, como o Shaas e o Yisrael Beitenou, que são radicalmente contra a criação de um Estado palestino, o que poderia trazer sérios problemas com a comunidade internacional e inutilizar os esforços pela paz alcançados até o momento.

Uma união com o Kadima, que defende a negociação com os palestinos para a criação de um Estado, deixaria seu gabinete em uma posição mais confortável para se colocar perante a questão.

Impasse

"Queremos formar um governo o mais amplo possível, e para isso é preciso criar equipes de negociadores", para corrigir diferenças, afirmou à rádio militar israelense o deputado Sylvan Shalom, do Likud.

"Cada um deve fazer concessões", estimou, dizendo esperar que o Partido Trabalhista também se una ao governo.

Nas eleições legislativas do dia 10 de fevereiro, o partido Kadima conquistou 28 das 120 cadeiras na Knesset; o Likud, por sua vez, ficou com 27, mas conta com o apoio de 65 deputados da direita e extrema direita. O Kadima é apoiado apenas pelos 13 deputados trabalhistas.

Consciente de que um governo formado com a extrema direita religiosa e laica pode ter duração limitada e causar problemas com o novo governo dos Estados Unidos, Netanyahu está em busca de uma flexibilização de suas posições.

Livni, que se reuniu com sua bancada antes do encontro com Netanyahu, tem afirmado que quer passar à oposição para "ser uma alternativa", ao invés de dar carta branca à equipe de Netanyahu.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca