Mundo
23/02/2009 - 22h25

Palestinos pedem intervenção de Obama por casas ameaçadas em Jerusalém

Publicidade

da Folha Online

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) pediu nesta segunda-feira ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma intervenção junto a Israel para impedir a destruição de quase 90 casas palestinas em Jerusalém Oriental.

"Pedimos ao presidente Barack Obama uma intervenção pessoal para interromper este projeto", declarou em entrevista coletiva em Ramallah Yaser Abed Rabo, colaborador do presidente da ANP, Mahmud Abbas.

Os proprietários de 88 casas palestinas no bairro de Silwan, na Jerusalém Oriental ocupada, receberam ordens de despejo nos últimos dias. O documento informa que as residências serão destruídas pela prefeitura por terem sido construídas sem permissão.

Cerca de 1.500 pessoas vivem nessas casas.

"É um massacre que Israel vai cometer na cidade sagrada", disse Abed Rabo, que pediu ainda uma "ação árabe e internacional urgente para deter este perigoso projeto".

"Limpeza étnica"

Fakhri Abu Diab, membro do Comitê pela Defesa do Território de Silwan, disse que, embora a demolição tenha sido ordenada sob o pretexto de que as casas foram construídas sem as permissões de construção e zoneamento necessárias, o real motivo é limpeza étnica. Segundo ele, a medida faz parte do plano de Israel de gradualmente retirar a população árabe da cidade, a qual Israel reclama como sua capital indivisível.

"Ficaremos na rua. Nossas mulheres e crianças serão sem-teto", disse Abu Diab. "As demolições irão afetar toda uma geração e irão fomentar o ódio dos residentes, que veem apenas esse lado do governo israelense."

Funcionários municipais escoltados por policiais vistoriaram as casas neste domingo, tiraram medidas, fotografias e fizeram planos, criando pânico entre os residentes, segundo Abu Diab.

Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital, inclusive Jerusalém Oriental e partes adjacentes da Cisjordânia, territórios anexados desde a sua conquista em 1967. No entanto, a anexação não conta com o reconhecimento internacional.

Os palestinos afirmam que Israel deve interromper todas as construções de assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia para que as conversas de paz possam continuar em busca de um acordo para acabar com a ocupação israelense e criar um Estado palestino. Cerca de 500 mil israelenses vivem nos assentamentos, considerados ilegais.

Silwan

A imprensa israelense e a palestina disseram que a área será limpa para a criação de uma zona verde recreacional perto da Cidade Velha. A prefeitura de Jerusalém não comentou o episódio.

As quase 90 casas que devem ser demolidas ficam no bairro de Al Bustan, na área de Silwan, em Jerusalém Oriental. A maioria das casas do bairro foram construídas nos anos 1980 e 1990, segundo a organização de direitos humanos israelense B'Tselem. Poucas foram construídas antes da ocupação, em 1967.

Moradores de Al Bustan receberam ordens de demolição pela primeira vez em 2005, segundo a organização. O grupo afirma que 402 casas de proprietários árabes foram demolidas em Jerusalém Oriental desde 2004.

Um comitê local em Al Bustan trabalhava em uma solução para cumprir com os requisitos impostos pelas autoridades municipais para evitar as demolições. Porém, as autoridades rejeitaram na semana passada as propostas do grupo.

Com France Presse e Reuters

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca