Terroristas que atacam Mumbai compraram cartão telefônico na Itália
colaboração para a Folha Online
da Efe
A investigação dos atentados de Mumbai, na Índia, ocorridos em novembro do ano passado, indica que Javed Iqbal, um paquistanês que viveu em Brescia (norte da Itália), comprou nesta última cidade os cartões telefônicos usados pelos terroristas.
| Arko Datta/Reuters |
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| Alvos dos ataques foram hotéis de luxo e pontos de concentração de turistas |
Os ataques terroristas mataram 172 pessoas e atingiram regiões nobres de Mumbai, onde ficam dois de seus mais luxuosos hotéis, o Taj Mahal e o Oberoi Trident, o aeroporto internacional e o Café Leopold, frequentado por gente de Bollywood (a gigante indústria cinematográfica indiana). Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, delegacias e um hospital.
Segundo relatório das autoridades indianas, publicado nesta terça-feira pelo jornal "Corriere della Sera", o terrorista Ismael Khan deu recomendações a membros de seu grupo por meio de um número digital e de cinco cartões telefônicos com prefixos austríacos encomendados a uma empresa americana.
O dinheiro gasto na compra foi enviado de Brescia pelo paquistanês Javed Iqbal, que depois voltou ao Paquistão. As autoridades italianas investigam como Iqbal entrou na Itália e se tinha cúmplices em Brescia ou em alguma outra cidade do país.
Diálogos
Na edição desta segunda-feira, o "Corriere della Sera" reproduziu um trecho de uma conversa entre um dos terroristas que se entrincheiram numa sinagoga e outro do Hotel Oberoi, ambos em Mumbai. Um deles diz que a imprensa "está comparando o que está acontecendo com o 11 de setembro". O outro comenta que tem cinco pessoas como reféns.
Em seguida, o primeiro comenta que é preciso "infligir o máximo dano possível", e o segundo sugere que ele "ameace as pessoas que fez como refém, menos os dois muçulmanos".
Em 26 de novembro, um grupo terrorista lançou um ataque contra diferentes lugares de Mumbai e manteve em xeque às forças de segurança indianas durante três dias.
O governo da Índia acusou ao grupo islâmico paquistanês Lashkar-e-Taiba, com base no Paquistão, de estar por trás dos atentados e pediu às autoridades paquistanesas que atuem com contundência contra essa organização.
Confissão
No último dia 12, o ministério do Interior paquistanês, Rehman Malik, admitiu que os atentados foram organizados, em parte, no Paquistão.
O governo paquistanês elaborou um primeiro relatório de informações e seis pessoas foram presas acusadas de participação nos ataques. A investigação teve como base informações fornecidas pela Índia. De acordo com o diretor do ministério do Interior, o caso foi investigado por uma unidade especial em Islamabad.
As investigações apontaram a existência de algumas transferências bancárias da Itália e da Espanha, que podem ter sido usadas para financiar os ataques. Um cartão telefônico da Austrália também foi utilizado de Houston, nos Estados Unidos
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