Governo ordena saída de médicos do Sudão; Exército ameaça população
colaboração para a Folha Online
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou nesta quarta-feira a retirada de todos os integrantes da região de Darfur por ordem do governo do Sudão. O governo alega que não poderá garantir a segurança dos trabalhadores internacionais após o TPI (Tribunal Penal Internacional) ordenar a prisão do presidente Omar Hassan Ahmad al Bashir nesta manhã.
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| Zohra Bensemra/Reuters |
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| Omar Hassan al Bashir é o primeiro presidente em exercício a ser processado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra |
A MSF explica, em comunicado, que as autoridades sudanesas exigiram que a entidade retirasse da região todos os trabalhadores de "um certo número de programas".
Os programas afetados são de ajuda médica tanto a residentes como à população refugiada pelo conflito de Darfur que, desde 2003, matou 300 mil pessoas e obrigou 2,5 milhões a deixarem suas casas.
A organização afirmou à France Presse que 70 pessoas -- entre estrangeiros e sudaneses não originários de Darfur-- foram retirados nesta terça-feira de Zalingei, Niertiti, Muhajariya e Kalma.
Essa é a primeira vez que um tribunal internacional processa um chefe de Estado em exercício. Bashir está no poder desde o golpe militar que encabeçou em 30 de junho de 1989.
A ordem de detenção não inclui a acusação de genocídio, porque os juízes consideraram "por maioria" que os documentos apresentados pela promotoria não ofereceram base suficiente para provar a "intenção específica" de Bashir de eliminar uma parte da população, segundo indicou o porta-voz do TPI, Laurence Blairon.
Ameaça
| Jerry Lampen/Reuters |
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| População realiza protesto após decisão do TPI de emitir pedido de prisão de presidente; Exército ameaça que declarar apoio a decisão |
O porta-voz do Exército sudanês, Osman al Aghbash, citado pela rádio Omdurman (oficial), afirmou que os militares reagirão "com firmeza contra qualquer um que colaborar com a Corte Penal Internacional (CPI)".
A CPI, que depende do aval do Estado, já emitiu ordens de prisão contra o ministro sudanês de Assuntos Humanitários, Ahmed Harun, e o chefe da milícia janjawid, Ali Kosheib, em maio de 2007, mas o presidente rejeitou a extradição.
Depois do anúncio da prisão de Bashir pelo TPI, cerca de mil pessoas se reuniram em Cartum para manifestar apoio ao presidente, em um clima definido como de muita tensão por uma fonte da Força de Manutenção da Paz da ONU e a União Africana (Minuad).
"Vamos te proteger, Bashir", gritavam os partidários reunidos junto ao Conselho de Ministros, às margens do Nilo, no centro de Cartum.
A ordem de prisão contra o presidente é um "precedente perigoso", afirmou o enviado para o Sudão do presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, citado pela agência RIA-Novosti. Os Estados Unidos, por sua vez, pediram "contenção" ao Sudão neste momento.
Um dos líderes dos rebeldes de Darfur afirmou que a ordem de prisão da CPI "marca um grande dia" para o Sudão.
Com agências internacionais
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