Mundo
09/03/2009 - 11h36

Sudão liberta líder opositor islâmico

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da Folha Online

As autoridades sudanesas libertaram nesta segunda-feira o líder opositor islâmico Hassan al Turabi, preso em janeiro passado por ter afirmado que o presidente Omar al Bashir deveria se entregar ao Tribunal Penal Internacional (TPI), informou a família de Turabi.

"Meu pai foi libertado da prisão de Port Sudão. Foi transportado de avião e atualmente está na casa de Manshia [periferia de Cartum]", declarou Omama al Turabi, filha do líder.

AP
Hassan al Turabi foi libertado nesta segunda pelo governo do Sudão
Hassan al Turabi foi libertado nesta segunda pelo governo do Sudão

Turabi foi detido em janeiro deste ano por ter afirmado que o presidente Bashir era "politicamente culpado" dos crimes cometidos em Darfur e que deveria se apresentar voluntariamente ao TPI.

Bashir teve a ordem de prisão decretada na semana passada pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) pelos crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante a onda de confrontos em Darfur, em 2003. Segundo especialistas, 200 mil pessoas foram mortas nos seis anos de conflito e outras 2,7 milhões tiveram de sair de suas casas.

O presidente desafiou a ordem de prisão, criticou a "incapacidade" do TPI e chegou a dançar diante de seus apoiadores.

Turabi, 76, ex-mentor de Bashir e atualmente um de seus mais árduos opositores, foi levado para uma penitenciária de Cartum, antes de ser transferido a Port Sudão. Ele argumenta que Bashir deve se entregar à CPI para evitar mais sanções e crise política no país.

Histórico

Líder do Partido Popular Islamita, Turabi foi uma figura central na política sudanesa por décadas. Ele foi o mentor espiritual por trás do governo de Bashir quando ele assumiu o poder, em 1989.

Na década de 90, quando o Sudão apoiou o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama Bin Laden, Turabi foi visto como o pivô central do apoio aos grupos extremistas islâmicos.

Em sua casa, Turabi disse aos repórteres que sua saúde está boa e afirmou ainda que consultará seu partido sobre seu futuro político.

Ele criticou a decisão de Bashir de expulsar as ONGs internacionais de ajuda humanitária do país, medida tomada em retaliação à decisão do TPI e que ameaça, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), deixar mais de um milhão sem comida em Darfur.

"Isso não foi justo. Eu não sei porque eles fizeram isso. Foi provavelmente um ato de raiva", disse.

 

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