Governo da Bolívia dá 72 horas para diplomata americano deixar o país
da Folha Online
O diplomata da embaixada dos Estados Unidos em La Paz que foi expulso nesta segunda-feira pelo presidente boliviano, Evo Morales, por suposta conspiração tem 72 horas para deixar a Bolívia, informou o ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca.
Em entrevista, o chanceler boliviano afirmou que a delegação americana já foi comunicada da decisão do governo de expulsar o funcionário americano de origem mexicana Francisco Martínez, que é o segundo secretário da embaixada em La Paz.
Martinez é um diplomata de carreira cuja atuação é concentrada em assuntos políticos, disse um funcionário da embaixada sob condição de anonimato.
"A convenção de Viena estabelece claramente que um diplomata não pode fazer trabalho político ou fazer ingerências", ressaltou o chanceler, ao destacar que a expulsão possui amparo no artigo nove desse acordo internacional.
Morales anunciou nesta segunda-feira sua decisão de expulsar o diplomata por sua suposta colaboração com os rivais políticos e sob a acusação de ser o elo de Rodrigo Carrasco, um ex-capitão da polícia boliviana acusado de espionar a companhia petrolífera estatal YPFB, com a CIA (agência central de inteligência americana).
O governo dos EUA qualificou a decisão de "injustificada", rejeitou as acusações contra Martínez e assegurou que a iniciativa "contradiz as declarações recentes do Executivo de Morales que expressavam o desejo de melhorar as relações bilaterais".
"Os Estados Unidos têm que entender que este país não vai aceitar ingerência. As boas relações se constroem respeitando as normas internacionais", respondeu Choquehuanca.
No entanto, o ministro considerou que a expulsão do diplomata "não tem por que prejudicar" as relações com Washington, mas chamar a atenção desse governo no sentido de que Bolívia não vai permitir uma ingerência e quer laços de respeito.
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