Autor de ataques terroristas no Afeganistão é ex-preso de Guantánamo, diz jornal
da Efe, em Londres
O comandante do Taleban --grupo radical islâmico sediado no Afeganistão-- responsável por ataques cada vez mais sofisticados contra as tropas britânicas no país asiático é um ex-preso de Guantánamo, informa reportagem do jornal britânico "The Times".
Abdullah Ghulam Rasoul passou seis anos na controversa prisão americana para suspeitos de terrorismo, na base militar de Guantánamo, em, Cuba, antes de ser entregue às autoridades afegãs, em dezembro de 2007. Na época, os responsáveis por sua custódia decidissem que o detento não era mais uma ameaça.
Segundo fontes britânicas, Rasoul foi posto em liberdade em Cabul no ano passado e agora, com o nome de mulá Abdullah Zakir, se tornou o novo chefe das operações dos talebans na Província de Helmand, onde dirige a estratégia contra as tropas britânicas.
A revelação de que um ex-detido de Guantánamo é agora um alto responsável dos talebans pode complicar, segundo o "Times", os esforços do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de persuadir outros países a aceitar presos de Guantánamo. A União Europeia, que se reuniu recentemente para debater o tema, afirmou que aceitará os presos somente se os EUA concederem garantias de que eles não representam ameaça.
Obama anunciou poucos dias depois de assumir a Casa Branca que fecharia Guantánamo, um dos símbolos negativos do governo de George W. Bush --duramente criticado por entidades de direitos humanos por permitir a prática de tortura e por prender, por anos, pessoas sem qualquer acusação formal.
Rasoul foi capturado junto a outros talebans em Kunduz, no norte do Afeganistão, em dezembro de 2001 --no calor da reação aos ataques de 11 de Setembro. Na ocasião, ele carregava material capaz de produzir bombas de fabricação caseira.
Fontes britânicas afirmam agora que Rasoul, libertado pelas autoridades afegãs há quase um ano, foi quem projetou a campanha de bombas colocadas nas estradas na Província de Helmand, patrulhada pelos britânicos.
Desde então, 48 soldados britânicos morreram devido a explosões desse tipo de bombas e 18 baleados.
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