Peru aprova uso da folha de coca para farinha e bebidas
da France Presse
Uma comissão unicameral do Congresso peruano aprovou projeto no qual autoriza a comercialização da folha de coca e seu uso para a produção de farinha e para dar sabor a bebidas, segundo informou o legislativo.
O projeto, que foi proposto por congressisas do opositor Partido Nacionalista, foi aprovado por oito votos a favor e três contra e agora deve passar pela Plenária do Congresso, com 120 membros.
A congressista Nancy Obregón, autora da iniciativa, comemorou a aprovação e afirmou que a aprovação da comercialização da folha permite que o produto não seja "desviado" ao narcotráfico.
O secretário Geral dos Agricultores das Cocaleiras do Peru, Walter Acha, a "aprovação é um orgulho e um grande passo". "Antes, falar da coca aqui na cidade de Lima, era falar de drogas. Agora, não mais", disse Acha.
O vice-presidente peruano, Luis Giampietri, que também é congressista e um dos três que votou contra o projeto, alertou sobre o perigo do projeto --que poderia estimular a produção de coca e afetar a política antinarcóticos no país.
Produtores cocaleiros programaram uma marcha na sede da Embaixada dos Estados Unidos para se manifestar a favor da descriminalização internacional da folha de coca.
Em Peru, cerca de 2.000 toneladas de folha de coca são legais e compradas pela estatal Empresa Nacional da Coca (Enaco), que as usa para produção de chá, bebidas e remédios.
Estudos de entidades privadas apontam que o país produz mais de 100 mil toneladas de folhas de coca por ano e a maior parte vai para o narcotráfico.
Bolívia
A aprovação veio um dia depois que, com uma folha de coca na mão, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu à Comissão de Narcóticos da ONU (Organização das Nações Unidas), em Viena, que retire a planta da lista de entorpecentes proibidos pelas convenções internacionais.
"A folha de coca não é cocaína, não é nociva para a saúde, não provoca males físicos nem dependência", enfatizou Morales, que, para reforçar sua causa, mascou algumas folhas diante dos ministros dos 53 países membros da comissão.
"Isto é mastigar. Não é porque mastigo que sou viciado em drogas. Se for assim, [Antonio María] Costa [responsável da ONU para a luta antidrogas e presente na sala] deveria me levar preso", desafiou Morales.
Morales participou da sessão plenária da comissão pela primeira vez para pedir a retirada da folha de coca da lista de entorpecentes estabelecida na convenção de 1961. Em Viena, o presidente boliviano --que ascendeu à política como líder dos produtores de coca-- defendeu o consumo tradicional da folha considerada como sagrada e milenar no mundo indígena andino.
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