Japão ameaça derrubar foguete com satélite da Coreia do Norte
colaboração para a Folha Online
O Japão deu sinais nesta sexta-feira de que pode interceptar o foguete que Coreia do Norte planeja lançar em abril --segundo o governo norte-coreano para colocar um satélite em órbita--, mas analistas disseram que o país comunista deve continuar com o plano de lançá-lo com pouco medo das consequências, apesar das críticas internacionais.
Pyongyang anunciou nesta semana que vai lançar um satélite em órbita entre os dias 4 e 8 de abril, anunciando que o suposto satélite experimental de telecomunicação vai sobrevoar o Japão e designou uma zona de risco na vizinhança para que navios internacionais e aviões evitem a área.
| Joshua Roberts /Reuters |
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| O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, exigiu nesta sexta-feira que a Coreia do Norte abandone seus planos de lançar o satélite |
De acordo com as coordenadas dadas por Pyongyang, o primeiro estágio do foguete que carregará o satélite durante o lançamento deve cair nas águas a menos de 120 quilômetros da costa noroeste do Japão. Um segundo estágio do foguete, segundo os norte-coreanos, deve cair no meio do oceano Pacífico, entre o Japão e o Hawaí.
O porta-voz do governo japonês, Takeo Kawamura, disse que o país tem o direito de derrubar o foguete caso haja sinais de que ele possa cair sobre seu território. "Legalmente falando, se este objeto seguir em direção ao Japão, nós podemos derrubá-lo por razões de segurança", disse o porta-voz.
O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, exigiu nesta sexta-feira que a Coreia do Norte abandone seus planos de lançar o foguete, ainda que se trate de um satélite, informou a agência local de notícias Kyodo.
"Não importa o que se assegure, ainda que seja um satélite, será uma infração descarada da Resolução 1.718 do Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse Aso. O primeiro-ministro afirmou que o "Japão deverá protestar de maneira severa perante a ONU e exigir o cancelamento" do lançamento.
O ministro de Assuntos Exteriores japonês, Hirofumi Nakasone, disse que Japão, Estados Unidos e Reino Unido se mostram céticos sobre os planos da Coreia do Norte e frisou que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) deve se reunir caso o lançamento realmente ocorra.
| Diego Azubel/Efe |
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| Nakasone disse nesta sexta-feira que o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir caso o lançamento realmente ocorra |
"A resolução proíbe [à Coreia do Norte] atividades com qualquer tipo de mísseis balísticos, por isso consideramos que se trata de uma violação no aspecto técnico, inclusive se asseguram se tratar de um satélite", disse Nakasone, citado também pela Kyodo.
O chanceler assinalou que falaria sobre a questão com seus parceiros internacionais, mas evitou fazer menções a possíveis sanções adicionais contra a Coreia do Norte.
O Japão, que reagiu com indignação em 1998 quando um míssil da Coreia do Norte sobrevoou seu território e caiu no Pacífico, desenvolveu desde entao sua capacidade de defesa. De acordo com o analista independente de defesa, Lance Gatling, o país é capaz de interceptar um míssil de tamanho médio.
"Depois do lançamento, deve haver um pouco de barulho, mas vai passar e as coisas vão seguir em frente para o próximo estágio", disse Kim Tae-woo, do Instituto de Análise de Defesa, uma entidade estatal sul-coreana com sede em Seul. "Eu acredito que os EUA vão oferecer um diálogo."
Segundo Paik Hak-soon, especialista em Coreia do Norte no Instituto Sejong, em Seul, o sucesso de um lançamento de satélite daria à Coreia do Norte uma posição de vantagem nas negociações futuras com os EUA, uma vez que significaria que o país teria um veículo para lançar suas armas nucleares.
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