Mundo
15/03/2009 - 16h53

Explosão mata cinco pessoas no Iêmen, reduto da rede Al Qaeda na península Arábica

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colaboração para a Folha Online

Ao menos quatro turistas sul-coreanos e um cidadão do Iêmen morreram neste domingo devido a uma explosão na passagem de um veículo com estrangeiros na localidade turística de Shibam, no sudeste do Iêmen, informaram membros da polícia iemenita.

Autoridades não confirmaram que tenha se tratado de um atentado. "Talvez tenha sido um ataque terrorista, mas [a causa] também poderia ser restos de dinamite de uma mina próxima", disse um funcionário local. Mas outro funcionário, falando sob condição de anonimato, informou que a explosão foi um ataque suicida.

A explosão aconteceu enquanto os turistas visitavam a cidade apelidada de "Manhattan do Deserto", que tem prédios do século 16 considerados os primeiros arranha-céus do mundo. Shibam é classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

O Iêmen, um dos países mais pobres fora da África, é um dos redutos da rede terrorista Al Qaeda na península Arábica, apesar das campanhas de segurança iniciadas pelas autoridades contra a organização comandada pelo saudita Osama bin Laden, cuja família paterna é iemenita.

O país tem cooperado com os Estados Unidos na luta contra o terrorismo, mas o seu governo enfrenta a resistência de extremistas islâmicos e de líderes tribais que se recusam a aceitar o comando central.

Em um episódio separado, as autoridades iemenitas informaram ter prendido Abdullah al Harbi, um saudita que está em uma lista de 85 militantes suspeitos emitida em fevereiro pela Arábia Saudita. A lista foi publicada depois que o braço da rede Al Qaeda no Iêmen, publicou um vídeo na Internet em que anunciou a mudança de seu nome para Al Qaeda na península Arábica, em uma aparente tentativa de revitalizar o grupo terrorista na Arábia Saudita.

Um dos objetivos declarados de Bin Laden é derrubar a família real saudita, a quem acusa de corrupção e de traição ao islã devido à aliança com os EUA.

Um dos ataques mais violentos no país nos últimos meses foi cometido por um grupo que seria vinculado à Al Qaeda em 17 de setembro do ano passado, perto da embaixada dos Estados Unidos em Sana, uma ação deixou 16 mortos.

Antes, em 2 de julho de 2007, oito turistas espanhóis morreram quando um carro-bomba bateu contra seu veículo, enquanto visitavam um sítio arqueológico no leste do Iêmen.

O ataque deste domingo --ocorrido a 900 km da capital Sana, na Província de Hadramut-- é o primeiro caso que envolve turistas sul-coreanos desde o sequestro sofrido por três cidadãos desse país em 1998. Naquela ocasião, os reféns, entre eles a esposa do cônsul em Sana e sua filha, foram capturados por uma tribo do sudeste do país.

O sequestro de estrangeiros, especialmente de turistas e de trabalhadores da indústria do petróleo, tornou-se frequente no Iêmen. Na maioria das vezes, esses incidentes são utilizados para pressionar o governo do presidente iemenita, Ali Abdala Saleh, a fim de que aceite pedidos de líderes tribais, e os sequestros não costumam durar muito tempo.

Com Reuters, Associated Press e Efe

 

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