Xeque obriga muçulmanos a apoiar o presidente do Sudão
colaboração para a Folha Online
O máximo xeque islâmico da Mauritânia, Ould Mohammed El Hassen Dedew anunciou neste domingo um fatwa (sentença religiosa) dizendo que é "um dever para todo muçulmano" apoiar o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmed al Bashir, que tem ordem de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade, pela morte de 300 mil pessoas.
"Todos os muçulmanos, governantes e governados, têm o dever, em virtude da sharia [lei islâmica], de apoiar o presidente sudanês Omar Hassan Ahmad al Bashir, contra o TPI", disse Dedew, o mais influente xeque do país.
| 08.mar.09/ Zohra Bensemra /Reuters |
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| O presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, tem ordem de prisão do TPI por crimes de guerra e contra a humanidade |
O xeque acrescentou, citando versos do Corão (o livro sagrado do islamismo), que também é "um dever para todos os muçulmanos cooperar com o governo do Sudão, para rejeitar a 'conspiração judaico-cristã', cujo objetivo é humilhar todos os muçulmanos e assustar seus governantes".
A ordem de prisão foi ditada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) no dia 4 de março, pelos massacres da região de Darfur, em 2003, nos quais o governo de Bashir apoiou milícias como a Janjaweed, apontada como a maior responsável pelas mortes.
Segundo o tribunal, Bashir ordenou que as forças governamentais sudanesas atacassem três grupos étnicos não árabes da região com a intenção de "neutralizá-los". O processo não inclui os crimes de genocídio, pois a Promotoria argumentou "inexistência de provas". A decisão cabe recurso. No primeiro discurso depois da decisão, o presidente minimizou o caso e dançou para a população.
Essa é a primeira vez que um tribunal internacional processa um chefe de Estado em exercício.
Vítima
Um consenso emergiu no Oriente Médio para apoiar o presidente do Sudão, visto como vítima da maldade ocidental, independente de ser inocente ou culpado. Do Irã a Arábia Saudita, a mensagem é a mesma: a ordem de prisão emitida pelo tribunal é uma afronta a soberania do Sudão.
Para eles, o tribunal é uma ferramenta de imperialistas que cobiçam o petróleo, gás e outras riquezas do Sudão. Além disso, dizem que a decisão adotada prejudica os esforços para conseguir a paz e a justiça no mundo e pode desestabilizar o país.
Outros censuram os padrões internacionais de justiça que permitem que crimes de guerra contra libaneses ou palestinos, ou dos Estados Unidos no Iraque fiquem sem punição.
Com Efe e Reuters
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