Mundo
18/03/2009 - 07h31

Sentença de Joseph Fritzl poderá ser perpétua

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colaboação para a Folha Online

Atualizado às 08h38.

Pode chegar ao fim nesta quarta-feira o julgamento do austríaco Joseph Fritzl, 73, que manteve a filha Elisabeth presa por 24 anos no porão de casa e teve sete filhos frutos de incesto, na Áustria. O "Monstro de Amstetten", apelido dado pela imprensa em referência à cidade, se declarou culpado de todas as acusações, inclusive a de homicídio, e poderá ser condenado à prisão perpétua. O veredicto será anunciado nesta quinta-feira.

Assista o vídeo do julgamento
Filha de Fritzl caçava ratos e vivia no escuro, diz Promotoria

Heinz-Peter Bader/Reuters
Após dois dias de julgamento, Fritzl assume crimes e pode passar o resto da vida preso
Após dois dias de julgamento, Fritzl assume crimes e pode passar o resto da vida preso

Ao longo dos anos, três filhos passaram a vida no porão, um morreu ainda recém-nascido e três foram criados pela avó, Rosemarie, e pelo pai-avô, que simulou o abandono das crianças na porta da casa da família.

A pena era prevista caso Fritzl fosse culpado por ter matado o recém-nascido em 1996. A Promotoria entendeu que por ter negado socorro médico ao filho, o austríaco seria condenado por assassinato. Ele confessou o crime.

Fritzl assumiu também os crimes de escravidão, o qual submeteu a filha, os de estupro e os frutos do incesto com a filha. Para cada criança nascida, foi acrescentado um crime na pena.

Elisabeth foi encarcerada aos 18 anos, em agosto de 1984, mas conta que os abusos começaram aos 11. Na época, o reduto tinha quase 20 metros quadrados, um lavabo, um banheiro e uma cozinha. Fritzl atraiu a filha até o local, a dopou e algemou. Elisabeth foi forçada a escrever à mãe --que, segundo a polícia, nada sabia sobre os horrores do subsolo-- dizendo que tinha entrado para uma seita e pedindo que não a procurassem.

Segundo a Promotoria, as condições de vida da família eram precárias e, em alguns momentos, a filha de Fritzl precisava caçar os ratos com as mãos para defender os filhos.

Homicídio

Nesta quarta-feira, perante o tribunal, o austríaco disse que "deveria ter feito alguma coisa" para evitar a morte de uma das sete crianças que teve com sua própria filha, Elisabeth.

"Não sei por que não ajudei. Esperava que o bebê pudesse passar por isso", disse Fritzl, que lembrou que esteve presente no parto da criança. "Declaro ser culpado. Deveria ter reconhecido que o bebê estava mal", afirmou o acusado.

Perante a afirmação da juíza de que teve 66 horas para levar o recém-nascido ao hospital, Fritzl disse que "deveria ter feito algo". "Simplesmente não me dei conta. Pensava que o menino ia sobreviver", contou.

A decisão do veredicto ficará a cargo de um júri composto por oito pessoas, sendo quatro homens e quatro mulheres. A sentença será emitida no mesmo dia e o resultado será baseado na decisão do júri e a de mais três juízes.

Nesta terça-feira, a defesa divulgou que uma equipe médica tem acompanhado o austríaco nas últimas semanas a fim de evitar que ele cometa suicídio. A imprensa austríaca ridicularizou as declarações do advogado de que Fritzl estaria com vergonha de ter cometido os crimes.

Com agências internacionais

 

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