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24/03/2003 - 12h30

EUA dizem ter provas de que Rússia entregou armas para o Iraque

da Folha Online

Os Estados Unidos dizem ter provas de que empresas russas entregaram armas ao Iraque. A informação foi dada pelo porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer.

Segundo o porta-voz, os elementos são "preocupantes" e Washington transmitiu a sua preocupação às autoridades russas.

O governo russo e as companhias russas acusadas por Washington negaram as acusações, qualificando-as de "invenções" e reafirmando que Moscou respeita o embargo imposto pela ONU a Bagdá.

"A Rússia respeita rigidamente todas as suas obrigações internacionais e não entregou ao Iraque nenhum equipamento, inclusive militar, em violação do regime de sanções", disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov. "Nenhuma fato que possa confirmar a preocupação americana foi descoberto."



No sábado (22), a Rússia prometeu barrar qualquer tentativa dos Estados Unidos e de seus aliados de buscarem o aval da ONU para a atual ação militar no Iraque ou para as instituições que Washington pretende instalar no país após o conflito.

Ivanov disse que a Casa Branca deve buscar no Conselho de Segurança uma autorização retroativa para a guerra, depois que a resistência iraquiana tiver sido esmagada.

"Sem dúvidas haverá tentativas de legitimar as operações militares e a estrutura pós-guerra no Iraque", afirmou Ivanov durante uma conferência sobre defesa e política externa nos arredores de Moscou.

"Vamos acompanhar isso atentamente e não vamos, é claro, dar legitimidade a essa ação no Conselho de Segurança", afirmou o chanceler, que já antes da guerra ameaçava vetar uma resolução que autorizasse o conflito, a exemplo do que fazia a França.

A divisão quanto à guerra representou um golpe nas relações entre EUA e Rússia, que viviam uma fase atipicamente favorável graças ao apoio do presidente Vladimir Putin à "guerra ao terrorismo", iniciada pela Casa Branca após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Durante a conferência, ele ressaltou o impacto que a guerra pode ter sobre os interesses econômicos da Rússia no Oriente Médio. Ele teme que o governo a ser imposto pelos EUA anule todos os contratos firmados pelo regime de Saddam Hussein.

"Precisamos defender nossos interesses de modo que esses contratos não sejam cancelados e declarados inválidos", afirmou.

Ele também desconfia da promessa norte-americana de não assumir o controle sobre o petróleo iraquiano.

"Apesar de estar sendo dito que os recursos naturais do Iraque pertencem apenas ao povo iraquiano, haverá um enorme desejo por parte dos EUA de adquirir esses recursos. E um dos nossos objetivos é defender nossos interesses legais no Iraque."

As companhias russas de petróleo têm grande atividade no Iraque e são quem mais tem a perder num eventual novo governo, que pode privilegiar as empresas norte-americanas e britânicas.

Ivanov disse também que considerou estranho o pedido norte-americano para que vários países, inclusive a Rússia, fechem as embaixadas iraquianas e expulsem seus diplomatas. Rússia, Alemanha, França e Brasil, entre outros países, não atenderam o pedido dos EUA.

Com agências internacionais

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