Soldados de Israel relatam assassinatos de crianças e vandalismo em Gaza
da Folha Online
Atualizado às 11h31.
Os soldados israelenses que lutaram durante os 22 dias da recente ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, admitiram que mataram civis [ao menos 900, segundo números do ministério palestino] que não representavam ameaça às tropas e destruíram intencionalmente suas propriedades, "simplesmente porque podiam". As declarações foram divulgadas em reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal israelense "Haaretz".
As confissões chocam pela franqueza. "A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados", diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense. "Porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. [...] Assim, se eles estão preocupados, podem justificar desta forma", completa.
O jornal publicou trechos de declarações de militares que lutaram durante a operação em Gaza realizada entre 27 de dezembro e 18 de janeiro deste ano e que deixou ao menos 1.300 mortos, entre eles ao menos 900 civis, além de destruir milhares de casas e a infraestrutura do território palestino.
| Hatem Moussa-15mar.09/AP | ||
![]() |
||
| Menino palestino é visto nos escombros de uma das milhares de casas destruídas pela ofensiva militar israelense |
Os militares, entre eles pilotos de combate e soldados de infantaria, fazem as revelações em relatório do curso preparatório para soldados de Yitzhak Rabin. Seus testemunhos contradizem declaração oficial do Exército israelense sobre o rígido comportamento moral de suas forças durante a operação e confirmam em parte as acusações de organizações internacionais de direitos humanos que criticaram o excesso de violência na operação.
Falha de comunicação
Os testemunhos incluem a descrição de um líder de um pelotão de infantaria sobre um incidente no qual um atirador de elite disparou por engano contra uma mulher palestina e seus dois filhos. Segundo o militar, o comandante de outro pelotão deixou que a família saísse de um edifício no qual tinha ficado retida por soldados sob seu comando, para evitar que fosse confundida com militantes do Hamas.
"Disseram para que fossem pela direita. Uma mãe e os dois filhos não entenderam [o comandante] e foram à esquerda, mas esqueceram de dizer ao atirador de elite no telhado que deixasse eles irem, que tudo estava normal e que não devia atirar. E ele fez o que achava que devia fazer, cumpria ordens", disse.
Segundo o militar, "o atirador viu a mulher e os dois filhos se aproximando dele além das linhas que ninguém devia atravessar". "Atirou. Em qualquer caso, o que aconteceu é que os matou", resume.
O chefe de pelotão disse ainda não acreditar que o atirador se "sentisse mal a respeito", afinal, fazia apenas seu trabalho.
Não há lógica
Segundo o jornal, o chefe do pelotão conta ainda que foi conversar com seu comandante sobre as regras da operação que permitiam que os militares "checassem" as casas à procura de militantes palestinos com armas na mão e atirando sem nem ao menos avisar os moradores com antecedência.
Depois que as regras foram mudadas, afirma o jornal, o líder do pelotão reclamou que eles "deveriam matar todo mundo em Gaza". "Todo mundo é terrorista", explicou.
"Você não tem a impressão dos comandantes de que há qualquer lógica nisso, mas eles não dizem nada. Nós escrevíamos "morte aos árabes" nas paredes, pegávamos as fotos de família deles e cuspíamos nelas, apenas porque podíamos", conta o chefe do pelotão.
"Eu acho que este é o principal: Entender o quanto as Forças Armadas israelenses caíram no âmbito de ética. Isso é o que eu mais me lembrarei", disse o soldado.
O chefe do serviço jurídico do Exército israelense, Avichai Mendelblit, ordenou a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias dos fatos relatados pelos soldados, que considera "errôneos" e "inaceitáveis" para as Forças Armadas de Israel.
Leia mais sobre Gaza
- Hamas nega impor obstáculos e mantém conversa sobre libertação de soldado israelense
- Israel acusa Hamas de endurecer exigências para libertar Shalit
- Juízes pedem que a ONU investigue ofensiva em Gaza
Outras notícias internacionais
- EUA devem suspender em breve proibição de contatos com Irã
- Peru suspende julgamento de Fujimori por crise de hipertensão e febre
- Secretário de Defesa dos EUA minimiza ameaças impostas por Rússia e China
Especial



Gostaria ver aplicaçao de mesma tatica, de preferencia no Maracana, para pacificar o Rio e Sao Paulo
avalie fechar
Poderia pedir para que Irã poupe a vida dos 5 oposicionistas políticos condenados à morte e perdoem os os mais de 80 sujeitos a julgamentos e prisões que variam de 3 a 15 anos.
Então o presidente do Irã pediria aos aiatolás que lhes perdoem.
Se a resposta for negativa, então o Ministro das Relações do Exterior de Israel poderia dizer:
- Se Lula não consegue anistia política aos iranianos, e por sua vez a cúpula do Irã, não aceita interferência nos assuntos internos de seu país, então pare de ficar se intrometendo nas questões de Israel, pois soberania e direitos devem ser iguais para todos.
Cada um cuide de seu " quintal " e procure a paz com seus vizinhos.
Os de fora fiquem apenas na torcida !
...
Ah ! Já ia me esquecendo !
Por acaso quando o presidente da China esteve no Brasil, Lula interpelou para que os direitos humanos sejam observados por lá ?!
avalie fechar
hamas fecha acordo com diversas facçoes para acabar com lançamentos
3 foguetes foram lançados em Israel apos acordo
Israel lança ataque em Gaza ferindo 10
agora os expert irao reaparecer no topico violencia em Gaza
avalie fechar