Irã ignora Obama e diz que nada muda no programa nuclear
da Folha Online
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira que as principais potências mundiais já foram convencidas de que não podem impedir o progresso do programa nuclear iraniano --criticado pela comunidade internacional por supostas pretensões militares. Em mensagem pela celebração do Nouruz (Ano-Novo) no Irã, Khamenei não fez menção ao vídeo gravado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no qual oferece a reaproximação nas estremecidas relações entre os dois países, em troca do compromisso iraniano de encerrar as ameaças e abandonar as armas.
Leia íntegra da mensagem
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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também gravou mensagem aos iranianos na qual afirmou que as potências mundiais chegaram a um "beco sem saída" em sua pressão pela desnuclearização iraniana. No discurso, Ahmadinejad tampouco mencionou o pronunciamento no qual Obama propõe um "novo começo" com "respeito mútuo" nas relações bilaterais, após décadas de animosidade.
Os EUA cortaram as relações diplomáticas com o Irã durante uma crise entre 1979 e 1981 na qual um grupo de estudantes militares iranianos manteve 52 diplomatas americanos reféns na Embaixada dos EUA no Irã, por 444 dias. Mais recentemente, os dois países vivem sob a tensão do programa nuclear iraniano --que Washington diz ter como objetivo a fabricação de armas e que Teerã defende como meio de produção de energia.
Khamenei destacou ainda em seu discurso os testes feitos no mês passado na primeira usina nuclear do Irã, em Bushehr (sul). "Este é o resultado do progresso dos nossos cientistas[...], que convenceram o mundo todo de que o caminho do progresso nuclear do Irã não pode ser bloqueado", disse o líder que detém a autoridade máxima sobre as principais questões nacionais.
Também nesta sexta-feira, o ministro iraniano de Energia, Parviz Fattah, afirmou em Istambul, Turquia, que o Irã concluirá e colocará em funcionamento a polêmica central nuclear de Bushehr antes do fim deste ano.
"O Irã optou por um programa pacífico de produção de energia nuclear. Praticamente alcançamos este objetivo", afirmou Fattah, durante o 5º Fórum Mundial da Água, ao responder a uma pergunta sobre o eventual impacto do discurso de Obama no programa nuclear iraniano. "O Irã concluirá e colocará em serviço a central de Bushehr antes do fim do ano", acrescentou.
Mão estendida
| Reuters |
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| Barack Obama oferece "novo começo" com respeito mútuo em vídeo para o Irã |
Aproveitando a celebração do Nouruz, Obama enviou uma mensagem de conciliação aos iranianos, com a promessa de um "novo começo".
A mensagem de Obama ao Irã traz o tom de seu primeiro discurso como presidente americano, quando afirmou que seu governo procurava "um novo modo de avançar" com o mundo muçulmano e que estava disposto a estender a mão para os países que abrissem seus punhos primeiro --um gesto que, pela resposta cautelosa, Teerã ainda esta receoso em fazer.
No vídeo, com legendas em persa, Obama traz ainda um tom criticamente diferente de seu antecessor republicano, que incluiu Irã, assim como Coreia do Norte e Iraque, no "eixo do mal" dos países que promovem o terrorismo.
Obama faz um chamado para que se encontre uma solução para as diferenças entre os dois países e para o início de um relacionamento "honesto". O Nouruz é uma das festividades mais populares do Irã, anterior ao surgimento do Islã.
"Os Estados Unidos querem que a República Islâmica do Irã tome seu merecido lugar na comunidade das nações, mas esse lugar não pode ser alcançado por meio do terror das armas, senão por meio de ações pacíficas que demonstrem a verdadeira grandeza do povo iraniano e sua civilização", continuou Obama, insistindo que o Irã também deve fazer a sua parte pela reconciliação.
Pé atrás
O conselheiro de imprensa do presidente Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, afirmou que o país recebeu favoravelmente a mensagem de Obama, mas reiterou o pedido por ações concretas de Washington para reparar os erros do passado.
"Recebemos favoravelmente a vontade do presidente americano de deixar de lado as diferenças do passado, mas o meio para alcançar isto não é pedir ao Irã que esqueça unilateralmente a atitude agressiva dos Estados Unidos no passado", declarou.
Javanfekr afirmou ainda que, para os EUA efetivamente estenderem a "mão amiga" que desejam, é preciso mudar fundamentalmente o comportamento. "Até agora o que recebemos foram punhos pouco amigáveis", completou.
O conselheiro de Ahmadinejad falou ainda das sanções americanas, que classificou como "erradas". Listou ainda outro grande obstáculo para a aproximação desejada por Obama: "Apoiar Israel não é um gesto amigável e o Ano Novo é uma boa hora de mudar esta política", disse Javanfekr. Israel é o principal aliado dos EUA no Oriente Médio e cortar relações com o país seria um grande retrocesso para a política de aproximação do democrata.
Com agências internacionais
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