Netanyahu pode ter fechado acordo secreto para assentamentos na Cisjordânia
colaboração para a Folha Online
O próximo primeiro-ministro de Israel, o líder do partido do Likud, Binyamin Netanyahu, concluiu um acordo secreto com o partido de ultradireita nacionalista Ysrael Beiteinu para ampliar uma colônia judaica na Cisjordânia com a construção de 3.000 casas, informou nesta quarta-feira uma rádio militar.
| 19.mar.09/Eric Gaillard/Reuters |
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| Palestina faz protesto na Cisjordânia contra a ofensiva na faixa de Gaza em frente a soldados israelenses; 1.300 morreram |
Segundo a emissora, se trata de um acordo verbal que, para não irritar Washington, não está formalmente incluído nos acordos de coalizão governamental assinados pelo partido de Netanyahu, Likud, e o Ysrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman.
A medida é contrária as negociações para a construção dos dois Estados, defendida nesta terça-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na segunda coletiva de imprensa na Casa Branca. Nesta quarta-feira, Netanyahu desconversou sobre o assunto, embora afirme que irá retomar o diálogo com os palestinos para a manutenção da paz na região.
Segundo informações divulgadas pela rádio militar, o acordo prevê a construção de 3.000 casas, escritórios e hotéis, em uma área, denominada de "setor E1", que une a colônia de Maaleh Adumim (33 mil habitantes) a Jerusalém Leste, anexado por Israel após a conquista em junho de 1967.
Os partidos Likud e o Israel Beiteinu se negaram a fazer comentários. O prefeito de Maaleh Adumim, Benny Kashriel, disse à rádio ter recebido a garantia de Lieberman de que seu partido 'fará o necessário para garantir a construção das residências'.
Os palestinos criticam de modo veemente o projeto de construção no setor E1, já que o mesmo praticamente dividiria a Cisjordânia em duas e dificultaria a constituição de um Estado palestino independente. Segundo relatório da ONG israelense B'Tselem, o número de agressões a palestinos registrou aumento desde o início da ofensiva de 22 dias na faixa de Gaza no final do ano passado.
ANP
A ANP (Autoridade Nacional Palestina) saudou nesta quarta-feira as declarações de Obama, que prometeu "persistir" no diálogo para a construção dos dois Estados.
"As declarações de Obama mostram a seriedade da nova administração americana no que diz respeito ao processo de paz", disse Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente da ANP, Mahmud Abbas.
"O governo de Obama deve adotar uma posição clara, exigindo o fim da colonização e que o governo israelense aceite uma solução baseada em dois Estados", afirmou.
Coalizão
O Likud se reunirá nesta quarta-feira com a equipe negociadora do partido de extrema direita União Nacional para tentar ampliar sua coalizão de governo, que já conta com os trabalhistas e com os ultraortodoxos do Shas.
Para começar a fazer parte da coalizão governamental, a União Nacional exige um ministério que dê responsabilidades para o desenvolvimento de infraestruturas comunitárias nas comunidades israelenses nas regiões de Galiléia e Neguev e nos assentamentos da Cisjordânia, como informa nesta quarta-feira o "Haaretz".
Com agências internacionais
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