Mundo
26/03/2009 - 07h24

Coreia do Norte ignora apelo internacional contra satélite e agrava tensão regional

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CECILIA HEESOOK PAEK
da Efe, em Seul

A Coreia do Norte avançou nesta quinta-feira em seus preparativos para lançar um foguete que, segundo Washington e Seul, pode ocultar o teste de um míssil de longo alcance, apesar das advertências sobre sanções e um ainda maior isolamento político.

Fontes sul-coreanas, americanas e japonesas, citadas pela imprensa local, afirmaram nesta quinta-feira que o foguete já está posto em sua plataforma de lançamento na base de Musudanri, no norte do país comunista, e que serão precisos quatro dias para abastecê-lo.

A Coreia do Norte anunciou que lançará um satélite de telecomunicações entre 4 e 8 de abril, mas especialistas da Coreia do Sul dizem ser um míssil com um alcance de até 6 mil quilômetros e que poderia chegar, portanto, no oeste do Alasca, nos Estados Unidos.

Segundo fontes sul-coreanas, citadas pela agência de notícias local Yonhap, a Coreia do Norte colocou na plataforma nesta terça-feira (24) o que parece ser um míssil de longo alcance.

Seul, Tóquio e Washington já alertaram que, embora se trate de um satélite, Pyongyang estaria testando sua capacidade de disparar um míssil de longo alcance, pois a tecnologia é similar.

Esses três países qualificaram o lançamento de "provocação" e alertaram que acarretaria sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) à Coreia do Norte por violar a resolução 1718, que a impede de realizar testes com mísseis.

O Ministério da Defesa sul-coreano avisou que o lançamento norte-coreano seria um "grave desafio e uma provocação contra a segurança da península coreana e a estabilidade do nordeste asiático".

"Provocação" também foi o termo usado no México pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que, da mesma forma que os chefes das diplomacias de Coreia do Sul e Japão, avisou que ajudará na imposição de mais sanções a um regime já bastante isolado.

O Japão ameaçou com mais sanções, além das que poderiam ser impostas pelo Conselho de Segurança, e espera-se que aprove ainda nesta sexta-feira uma lei que lhe permitirá destruir os restos do foguete norte-coreano caso cheguem a cair em seu território.

A trajetória do foguete, segundo revelou a própria Coreia do Norte aos organismos internacionais encarregados da segurança marítima e aérea, cruzará o mar do Leste (mar do Japão) e parte do Pacífico, caso realmente seja bem-sucedida.

Segundo especialistas dos EUA, em 2006, Pyongyang fez um teste fracassado com um Taepodong-2, que explodiu menos de um minuto antes de decolar e, em 1998, ocultou um teste de míssil alegando ser um lançamento de satélite de telecomunicações.

Prevenidos

Os vizinhos asiáticos da Coreia do Norte continuaram exigindo que seja paralisado o lançamento, enquanto tomam outras medidas.

A Coreia do Sul prepara-se para enviar uma embarcação de guerra equipada com um sistema antimísseis ao mar do Leste, de modo a vigiar as atividades do foguete norte-coreano.

Dois destróieres americanos, equipados também com sistema antimísseis, permaneceram na região, após recentes manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul. Próximo também está outro navio japonês, de características similares.

O porta-voz do Ministério da Defesa sul-coreano, Won Tae-jae, fez uma chamada ao regime comunista para que interrompa o lançamento e avisou que isso violaria a resolução 1718 do Conselho de Segurança contra qualquer teste de mísseis balísticos feitos pela Coreia do Norte.

O porta-voz da Chancelaria sul-coreana, Moon Tae-young, por sua vez, sugeriu que Seul poderá até levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, caso a Coreia do Norte chegue a disparar o foguete, ainda que seja levando um satélite.

Em Tóquio, Yasuhisa Kawamura, chanceler japonês, disse em coletiva de imprensa que o Japão "acompanha a situação muito de perto" e pediu à Coreia do Norte que se "contenha em suas provocações" e que não lance o foguete, para evitar uma situação pior.

Comentários dos leitores
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Os EUA se esquecem que o Irã celebrou contratos comerciais com a Venezuela e a China, bem como com o Brasil que detêm tecnologia para o refino do petróleo bruto. Já os EUA dependem do petróleo da Venezuela para sobreviver. As Sanções serão ineficazes. sem opinião
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Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Excelente o comentário de Juarez Ribeiro Batista. Gostaria de complementá-lo.
Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
4 opiniões
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Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Juarez. Menos. Ao que me consta, no último conflito como o Hezbollah a base avançada dos americanos (que alguns teimam de chamar de país) não se deu nada bem, e, por outro bordo, cumpre observar que nenhum conflito envolveu o Irã, ademais porque, até 1979 era aliado dos EUA. 3 opiniões
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