Mundo
26/03/2009 - 10h39

Sudão acusa EUA de matar 800 pessoas em bombardeios aéreos

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da Efe, em Cartum

O governo sudanês denunciou nesta quinta-feira que pelo menos 800 pessoas, entre elas 200 sudaneses, morreram em vários bombardeios aéreos feitos pelos Estados Unidos entre janeiro e março em uma região de fronteira do Sudão com o Egito.

Em entrevista coletiva, o ministro dos Transportes sudanês, Mabruk Mubarak Salim, declarou que os ataques aéreos foram lançados contra comboios de traficantes de armas na região de Al Halaib, disputada entre Sudão e Egito.

Segundo Salim, além dos 200 sudaneses, as outras vítimas eram etíopes e eritreus. "Desde janeiro, aviões americanos fizeram uma série de ataques contra caravanas de traficantes na zona fronteiriça na qual estes atuam devido à deterioração das condições de vida destes lugares", disse o ministro.

No entanto, Salim não confirmou nem desmentiu as informações divulgadas por outros veículos de imprensa internacionais as quais indicam que as armas transportadas em tais comboios tinham como destino final os territórios palestinos.

Segundo o ministro --que não explicou as razões pelas quais o governo de Cartum demorou tanto para dar esta informação--, cerca de 40 veículos foram destruídos durante os ataques.

A denúncia só foi confirmada pelo ministro dos Transportes sudanês e não foi contestada de forma independente. As organizações internacionais que operam no Sudão também não comentaram.

Segundo a rede de televisão americana CBS, o ataque contra o comboio foi feito por aviões israelenses.

Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que não tinha comentários sobre o assunto. Israel não costuma confirmar nem desmentir ações de caráter ofensivo em território de outros países, tanto as realizadas por seu Exército quanto pelos serviços secretos.

O anúncio vindo de Cartum ocorre enquanto o presidente sudanês, Omar al Bashir, sofre pressões da comunidade internacional por seu papel no conflito da região de Darfur, que já deixou cerca de 300 mil mortos desde seu início em 2003.

No último dia 4, o Tribunal Penal Internacional (TPI) ordenou a detenção de Bashir por crimes de guerra e de lesa-humanidade. O presidente, contudo, ignorou a ordem e viaja atualmente por vários países da região.

Desde então, Bashir tem declarado que nações como os EUA e Israel não recebem o mesmo tratamento do TPI por sua vinculação, respectivamente, com a Guerra do Iraque e com os ataques contra os palestinos.

 

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