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26/03/2009 - 13h58

Entenda o que está em risco com a tensão com a Coreia do Norte

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da Reuters

A Coreia do Norte afirmou nesta quinta-feira que está disposta a reiniciar seu controverso programa nuclear se a ONU (Organização das Nações Unidas) decidir punir o país pelo lançamento de seu satélite de telecomunicações, previsto para entre os próximos dias 4 e 8 de abril. O lançamento, afirmam Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, é apenas um disfarce para o teste de um míssil de longo alcance, que poderia chegar até mesmo ao Alasca.

A comunidade internacional critica a ideia, afirmando que violaria a resolução 1.718 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em outubro de 2006 e que recomenda à Coreia do Norte a suspender as atividades relacionadas a seu programa de mísseis balísticos.

Analistas não anteveem um grave conflito pelo satélite na península coreana, mas dizem que o recente discurso belicoso de Pyongyang visa a pressionar Seul a abandonar sua política linha-dura e a chamar a atenção do novo governo dos EUA.

A imprensa diz que os EUA e o Japão estariam se preparando para abater o foguete, mas analistas dizem que isso não deve ocorrer, por questões técnicas e políticas.

Entenda o que pode acontecer neste momento de grande tensão com a Coreia do Norte

Avanço pelo mar

A Coreia do Norte ameaça uma ação militar por causa de uma disputa com a Coreia do Sul sobre um trecho de litoral na costa oeste da península. A questão já gerou confrontos em 1999 e 2002, com mortes de marinheiros em ambos os lados.

Pyongyang pode hesitar em provocar uma nova batalha, já que sua Marinha se mostrou muito inferior às forças sul-coreanas em 2002. Contudo, o regime comunista colocou mais mísseis de curto alcance em seu litoral, e pode agravar a tensão disparando-os contra águas reivindicadas pela Coreia do Sul ou contra seus navios.

Um eventual ataque abalaria a bolsa sul-coreana e derrubaria a cotação do won local, mas o impacto provavelmente seria efêmero. A avaliação de crédito da Coreia do Sul permaneceu intacta nos dois incidentes navais anteriores.

Tiros na fronteira

Um tiroteio em algum ponto da Zona Desmilitarizada (junto à fronteira) poderia facilmente desencadear um confronto mais amplo, envolvendo muitos dos mais de 1 milhão de soldados mobilizados em ambos os lados.

Mas uma batalha terrestre é um cenário improvável, pois poderia provocar um conflito mais amplo e que traria derrotas previsíveis para ambos os lados.

Um cenário mais provável seria que a Coreia do Norte realize enormes manobras de treinamento militar ou envie aviões para muito perto da fronteira, a fim de assustar Seul.

O ministro sul-coreano da Defesa, Lee Sang-hee, disse recentemente ao Parlamento que o pais vizinho pode realizar um ataque "limitado" por mar, ar ou terra enquanto a atenção está voltada para o disparo do foguete. Nesse caso, disse o ministro, Seul reagiria atacando a base de onde partiu a agressão.

Um eventual confronto deve derrubar a bolsa de Seul e o won, mais do que no caso de um teste norte-coreano com mísseis ou armas nucleares.

Já uma incursão de tropas norte-coreanas ou um disparo de artilharia que atinja o território sul-coreano poderia resultar na retirada maciça dos investimentos estrangeiros e num rendimento muito mais elevado para os títulos do Tesouro sul-coreano.

Teste de míssil

Há uma pequena chance de que a Coreia do Norte também teste mísseis de médio alcance, como fez em julho de 2006, quando disparou o seu Taepodong-2 pela primeira e única vez. Isso contradiria o argumento norte-coreano de que o foguete a ser lançado em abril serviria a fins pacíficos (pôr um satélite em órbita), e fortaleceria a tese dos que defendem mais punições ao país.

Segundo teste nuclear

A Coreia do Norte, que realizou seu único teste nuclear em outubro de 2006, sabe que um outro teste a deixaria ainda mais isolada e esgotaria o seu já magro estoque de plutônio altamente enriquecido. A essa altura, um novo teste não traria ganhos políticos expressivos para Pyongyang, e ainda acarretaria o risco de abalar os laços com o único aliado do regime, a China.

Além disso, os líderes norte-coreanos podem se ver fortalecidos internamente pelo lançamento bem-sucedido de um foguete, tornando desnecessária a exibição de um segundo teste com armas nucleares.

Especialistas alertam, no entanto, que o segundo teste acabará ocorrendo, já que o primeiro pareceu ser apenas parcialmente bem-sucedido, e a Coreia do Norte precisa fazer outro para avaliar progressos nos seus projetos de bombas atômicas.

Programa nuclear

A fim de ampliar sua influência junto ao novo governo dos EUA, o Norte poderia cogitar a retomada das operações na sua usina nuclear de Yongbyon, revertendo as medidas de desarmamento exigidas em um tratado internacional que deveria levar à total desativação da central nuclear durante pelo menos um ano.

Especialistas dizem que o Norte poderia ter suas instalações funcionando novamente em poucos meses, e poderia aproveitar restos nucleares para produzir plutônio suficiente para mais uma bomba atômica.

Guerra total

Comandantes militares dos EUA na Coreia do Sul dizem que as forças norte-americanas e sul-coreanas derrotariam facilmente Pyongyang, que no entanto continuaria capaz de disparar rapidamente milhares de projéteis de artilharia e até mísseis que poderiam atingir Coreia do Sul e Japão.

Analistas dizem também que uma guerra total representaria o fim do governo comunista de Kim Jong-il, e causaria enorme destruição na península e talvez no Japão. Poderia também provocar uma nova crise econômica e financeira na região, já afetada duramente pela desaceleração econômica global.

Comentários dos leitores
J. R. (1256) 30/01/2010 08h52
J. R. (1256) 30/01/2010 08h52
Seria até possível forçar o Irã às inspeções caso Israel também se submeta a inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em todas as suas instalações de Dimona e militares. Assim o mundo ficaria mais tranquilo ao saber que não estão escondendo armas de destruição em massa, do mesmo modo que o Irã. Obviamente a comissão da AIEA tem que ser formada por representantes de todas as partes, não apenas os escolhidos a dedo pelos U-S-A. A paz exige sacrifício e determinação. sem opinião
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eduardo de souza (628) 24/01/2010 19h07
eduardo de souza (628) 24/01/2010 19h07
Não acredito que por em risco sua própria gente será barreira para os "adoradores do caos". A Espanha acena que esta fora dos conflitos pesados, a China só vai obeservar, outros países também terão lucidez e cairão fora. Sobrará a batata quente para aqueles que a "fornaram", e terão que arcar com seus atos, pois o que enfrentarão já derrotou outros impérios no passado. O Irã não é qualquer um não. Quem viver verá. 3 opiniões
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J. R. (1256) 20/01/2010 07h29
J. R. (1256) 20/01/2010 07h29
O assassinato do físico nuclear iraniano Masud Ali Mohammadi, engajado ao movimento nacionalista iraniano, obviamente foi obra da Cia e Mossad, pelas caracteristicas, embora neguem até o fim como sempre fazem. Com esse ataque terrorista agora deverá ocorrer uma espécie de "caça às bruxas" na Universidade de Teerã, e talvez esse seja, além de
assassinar o professor, o objetivo final da ação, que é dividir internamente o Irã. Como os U-S-A divulgaram recentemente, o que está ocorrendo de fato agora é uma aceleração do programa nuclear do Irã. Pelo andar da carruagem os U-S-A sabem que já não podem mais promover uma guerra convencional contra o Irã, pois poriam em risco suas tropas.
Agora só resta uma saída: tentar minar e derrubar o atual governo iraniano através de ações de terrorismo e sabotagem, o que parece ser algo impossível e só serviria para massacrar ainda mais a oposição. O lider religioso Khamenei fala abertamente que "Todas as partes com tendências diferentes devem se distanciar claramente dos inimigos, em particular as elites influentes, que devem também se abster de fazer comentários ambíguos", o que não deixa de ser o início do combate à influência dos U-S-A sobre a classe média iraniana, e uma nova revolução está em curso para solidificar a atual.
33 opiniões
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