Coreia do Norte adverte que qualquer sanção terá "consequências firmes"
colaboração da Folha Online
A Coreia do Norte advertiu nesta terça-feira que qualquer ação do Conselho de Segurança da ONU contra o país em resposta ao lançamento de um foguete de longo alcance teria "consequências firmes", segundo o embaixador adjunto norte-coreano perante as Nações Unidas, Pak Tok Hun.
Ele defendeu a versão de Pyongyang de que o foguete lançado no domingo (5) transportava um satélite de comunicações, e não era um teste de um míssil balístico disfarçado, como acusam países vizinhos e as potências ocidentais.
"Todo o mundo conhece a diferença entre um míssil e um satélite", afirmou o diplomata na saída de uma reunião da Assembleia Geral.
Ele lembrou que todos os países "têm o direito de aproveitar o espaço exterior de maneira pacífica", como já fazem algumas nações, e que impedir a Coreia do Norte de ter acesso a isso seria "injusto".
"Qualquer ação do Conselho de Segurança será considerada uma violação de nossa soberania e terá consequências firmes", afirmou o representante do regime norte-coreano.
Os cinco membros permanentes do principal órgão da ONU, China, Rússia, Estados Unidos, França e Reino Unido --que têm poder de veto sobre qualquer decisão-- e o Japão adiaram até a quarta-feira uma segunda rodada de contatos para tentar pactuar uma reação conjunta às ações norte-coreanas.
China e Rússia se opõem a qualquer medida contundente que, em sua opinião, possa colocar em risco as negociações de seis lados (Estados Unidos, Rússia, China, Japão e as duas Coreias). O regime comunista chinês é o principal parceiro comercial da também comunista Coreia do Norte e, junto com a Rússia --onde o regime comunista caiu em 1991--, esteve ao lado do país na luta contra a Coreia do Sul e a Força da ONU liderada pelos EUA na Guerra da Coreia (1950-1953).
Sanções à Coreia do Norte
Nesta terça-feira, o Parlamento do Japão aprovou uma resolução que condena o lançamento do foguete e pede ao governo a imposição de mais sanções. A expectativa é que o Executivo japonês aprove na próxima sexta-feira (10) novas sanções contra o regime norte-coreano, que poderia representar um embargo a todas as exportações.
Na moção parlamentar aprovada nesta terça-feira, que será votada nesta quarta-feira no Senado, se diz que o lançamento norte-coreano é uma violação das resoluções 1695 e 1718 das Nações Unidas de 2006, que impedem que o regime comunista dispare mísseis balísticos.
O Parlamento japonês já aprovou uma resolução similar em 2006, pouco depois do teste nuclear da Coreia do Norte, que acabou dando lugar à resolução 1718. Na época, o Japão impôs sanções econômicas contra Coreia do Norte depois do teste nuclear feito pelo regime comunista em outubro de 2006.
As sanções proíbem a importação de produtos norte-coreanos, assim como as exportações de muitos produtos japoneses à Coreia do Norte e a entrada em águas do Japão de navios de bandeira norte-coreana.
O ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira que é preciso evitar extrair "conclusões apressadas" sobre o foguete norte-coreano. "Devemos evitar conclusões apressadas. Está claro que a situação não causa alegria, causa preocupação", disse, em entrevista coletiva, o chefe da diplomacia russa, segundo a agência Interfax.
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