Morales faz greve de fome por lei que pode garantir reeleição
da Folha Online
O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse ter iniciado nesta quinta-feira uma greve de fome para pressionar o Congresso a aprovar uma polêmica lei de transição constitucional, que representaria um passo rumo a sua reeleição no pleito nacional previsto para dezembro.
Morales começou o jejum às 9h50 (10h50 no horário de Brasília) no palácio presidencial, acompanhado de uma dezena de dirigentes das organizações sociais, entre eles Pedro Montes, secretário-executivo da Central de Trabalhadores Boliviana.
O secretário disse que o protesto foi decidido "frente à negligência de alguns parlamentares neoliberais para defender o voto e o mandato do povo", já que o Congresso não chegou a um acordo sobre a lei de transição determinada pela nova Constituição.
| David Mercado/Reuters |
![]() |
| Presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciou greve de fome por mudança na lei eleitoral |
"Diante da negligência de um grupo de parlamentares, fomos obrigados a adotar esta medida de jejum voluntário", disse Morales, em discurso pronunciado no palácio de governo de La Paz.
Além disso, um documento do partido governista Coordenadora Nacional pela Mudança (Conalcam) advertiu: "Nós nos declaramos em greve de fome junto a Morales e outros líderes da unitária Central Operária Boliviana [COB]".
A greve de fome foi anunciada em meio ao debate, no Congresso, da nova lei eleitoral --diante de fortes disputas entre governismo e oposição.
O Congresso ignorou o prazo estipulado ---meia-noite desta quarta-feira (1h desta quinta-feira em Brasília)-- e continuou o debate sobre a lei eleitoral, medida necessária para convocação das eleições presidenciais de 6 de dezembro.
A sessão transcorreu sob a ameaça dos legisladores do governista Movimento ao Socialismo (MAS) de renunciar a suas cadeiras caso não se chegasse a um acordo com a oposição, o que poderia representar a inabilitação ou até o fechamento do Congresso.
O prazo existe porque a nova Constituição da Bolívia, promulgada em 7 de fevereiro passado, estabelece um período de dois meses, que se completou nesta quarta-feira (8), para que o Congresso aprove o regime eleitoral que permita convocar eleições gerais.
Atualmente, o partido de Morales conta com maioria suficiente na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, que é controlado pela oposição.
Em entrevista, o presidente do Congresso e vice-presidente do governo, Álvaro García Linera, pediu às legendas "todo o esforço possível" para aprovar a lei porque, após a meia-noite, o Congresso se encontraria em uma "situação complicada" se não houvesse acordo.
García Linera disse que há setores da oposição, "minoritários", mas com capacidade de bloqueio, que não querem que as eleições aconteçam.
Com agências internacionais
Leia mais
- Congresso ignora prazo e continua debate sobre lei eleitoral na Bolívia
- Congresso boliviano começa a debater novo regime eleitoral
- Governo e oposição abrem diálogo para garantir eleições na Bolívia
Veja outras notícias internacionais
- No Dia Nacional da Tecnologia Nuclear, Irã inaugura 1ª usina de combustível nuclear
- Entenda os ataques de piratas na Somália
- Cerca de 50 mil protestam por renúncia do presidente da Geórgia
Especial
Livraria



