Mundo
16/04/2009 - 12h33

EUA pressionam, mas Israel evita falar de Estado palestino

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da Folha Online

O enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, ressaltou nesta quinta-feira perante o chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, que seu país defende uma solução de dois Estados para o conflito palestino-israelense. Lieberman, contudo, evitou a polêmica e não citou em nenhum momento a proposta.

"A política dos EUA favorece uma solução de dois Estados, um Estado palestino vivendo em paz junto ao Estado hebreu de Israel", afirmou Mitchell em breve declaração à imprensa ao final de uma reunião com Lieberman na Chancelaria israelense, em Jerusalém.

Tara Todras-Whitehill/AP
Enviado especial dos EUA, George Mitchell (esq.), conversa com Avigdor Lieberman
Enviado especial dos EUA, George Mitchell (esq.), conversa com Avigdor Lieberman

O americano faz sua terceira visita à região desde janeiro passado, quando foi designado no cargo. Porém, essa é a primeira que vai a Israel desde a posse do novo governo israelense, que se mostra resistente ao conceito do Estado palestino.

O chanceler israelense qualificou o encontro como importante e minucioso e destacou que teve como objeto "coordenar posições entre EUA e Israel".

Lieberman, dirigente do partido ultradireitista Yisrael Beiteinu, afirmou recentemente que seu governo não se sente obrigado a seguir o processo de paz de Annapolis, impulsionado em novembro de 2007 pelo governo do americano George W. Bush e que tem como fim a criação de um Estado palestino.

"Foi uma ótima oportunidade de trocar algumas ideias, e conversamos sobre uma cooperação realmente estreita", disse Lieberman a respeito do encontro com Mitchell.

O ex-senador norte-americano, que foi mediador no processo de paz norte-irlandês, deve se reunir ainda nesta quinta-feira com Netanyahu.

Netanyahu até agora tem evitado se comprometer com o estabelecimento de um Estado palestino na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Ele defende que o foco das futuras negociações sejam as questões econômicas e de segurança, e não os temas mais complicados, como a demarcação de fronteiras, o status de Jerusalém e o futuro dos refugiados palestinos.

Agenda

Mitchell se reúne esta tarde em Tel Aviv com o ministro da Defesa Ehud Barak, com quem teve um encontro informal na noite desta quarta-feira.

Em sua agenda de trabalho também tem fixadas reuniões com a chefe da oposição, Tzipi Livni, e o chefe das Forças Armadas, Gabi Ashkenazi.

No fim da tarde, se encontrará com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Nesta sexta-feira, Mitchell irá à cidade cisjordaniana de Ramallah, sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP), onde terá reuniões com líderes locais.

Com Efe e Reuters

 

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