Ministro israelense acusa presidente do Irã de racismo
colaboração para a Folha Online
O ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, criticou nesta segunda-feira a Conferência sobre o Racismo, que ocorre em Genebra, na Suiça, e rebateu as acusações do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que neste domingo acusou Israel de ser um "Estado racista".
| Denis Balibouse/Efe |
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| Presidente iraniano se reúne com secretário-geral da ONU em evento de racismo na Suíça |
"Uma conferência internacional na qual um racista como Ahmadinejad, que defende dia e noite a destruição de Israel, é convidado a palestrar expõe [por si só] quais são seus objetivos e seu caráter", afirma o ministro israelense em comunicado. Ironicamente, durante a campanha eleitoral, o partido de Lierbemen, Ysrael Beitenu, foi acusado de racismo contra os árabes.
Nesta segunda-feira, o governo israelense pediu ao embaixador na Suíça, Ilan Elgar, para ter um direito de resposta às declarações do presidente iraniano. As declarações ocorreram em um encontro entre o presidente iraniano e o presidente suíço, Hanz Rudolf Merz, à margem da Conferência sobre o Racismo, "Durban 2".
"O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, e o ministro de Assuntos Exteriores, Avigdor Lieberman, decidiram chamar a consultas o embaixador Elgar", informa em comunicado, o ministério de Exteriores israelense.
Segundo a nota, "uma reunião entre o presidente de um Estado democrático com um reconhecido negacionista do Holocausto, como é o presidente do Irã, que também prega a destruição do Estado de Israel, não casa com os valores que a Suíça representa".
Ahmadinejad e Merz se encontraram ontem à noite, em Genebra, dentro da conferência sobre racismo, o que provocou a indignação de Israel. Além de Israel, também boicotam a reunião os Estados Unidos, Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia e Alemanha.
Os países consideram que a conferência pode se transformar em um fórum antissemita e se remetem à primeira reunião desse tipo realizada na cidade sul-africana de Durban há oito anos, quando se acusou Israel de ser um "Estado racista".
No comunicado, o ministério de Exteriores israelense lembra que a recepção do presidente suíço a Ahmadinejad é "duplamente grave", por coincidir com a véspera do dia em que se lembra o Holocausto em Israel, que começa na tarde desta segunda-feira e lembra o genocídio de 6 milhões de judeus nas mãos do regime nazista.
ONU
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reuniu-se nesta segunda-feira com o presidente iraniano, no Palácio das Nações em Genebra, onde acontece a conferência sobre o racismo. O presidente iraniano discursará na conferência às 15h (10h de Brasília).
Coincidindo com o encontro, o escritório de Ban Ki-moon emitiu uma declaração por ocasião do Dia do Holocausto, na qual Ban condena a negação do massacre de judeus por nazistas ou a minimização do fato. "Ignorar o fato histórico desses terríveis eventos aumenta o risco de que possam se repetir", afirma Ban, na declaração.
Ao inaugurar nesta segunda-feira o fórum, Ban Ki-moon lamentou "profundamente" o boicote dos países e afirmou que a minuta adotada por consenso é "equilibrada".
A França advertiu que vai se retirar do evento se Ahmadinejad fizer acusações antissemitas.


