Presidente do Irã denuncia racismo de Israel contra palestinos
colaboração para a Folha Online
Atualizado às 13h53.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou nesta segunda-feira o racismo de Israel e a cumplicidade dos Estados Unidos e de alguns governos ocidentais na política israelense contra os palestinos, em discurso na conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre racismo, no qual foi vaiado por alguns presentes.
Diplomatas da UE (União Europeia) deixaram a sala em que ocorre a conferência após o discurso do presidente do Irã. Ao todo, 40 diplomatas abandonaram a sala após o discurdo de Ahmadinejad. Os representantes também ameaçaram abandonar a conferência de houvesse novos apelos a retórica antissemita ou outras críticas igualmente discriminatórias contra Israel.
| Denis Balibouse/Reuters |
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| Mahmoud Ahmadinejad sorri para simpatizantes após chegada em evento da ONU; presidente faz discurso em favor dos palestinos |
Ahmadinejad, que é o único chefe de Estado que assiste a esta conferência marcada desde antes de seu início, devido à polêmica e o boicote dos EUA, Israel e outros sete países, usou grande parte de seu discurso para condenar a "política repressiva" e a "brutalidade" de Israel contra os palestinos.
"Depois do final da Segunda Guerra Mundial, os aliados recorreram a agressão militar para tirar as terras de uma nação inteira com o pretexto do sofrimento judeu", disse Ahmadinejad.
"Enviaram imigrantes da Europa, dos Estados Unidos para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada", disse o presidente iraniano ao provocar reações de vários representantes europeus que abandonaram a sala da sede da ONU.
Pouco depois de começar as críticas, os representantes da União Europeia (UE) saíram da sala em protesto contra as palavras de Ahmadinejad, que também denunciou as intervenções militares no Iraque e no Afeganistão, e se perguntou se trouxeram a paz ou a prosperidade a seus povos.
Minutos antes, quando o presidente iraniano iniciava seus discurso, pelo menos três manifestantes disfarçados com perucas coloridas e narizes vermelhos de palhaço gritaram "Racista! Racista!" e foram expulsos pelos seguranças.
O líder iraniano criticou a ordem política mundial, ao afirmar que o Conselho de Segurança da ONU sempre "recebeu com o silêncio os crimes desse regime [israelense], como os recentes bombardeios contra civis em Gaza".
Afeganistão
Ahmadinejad disse ainda que a intervenção internacional no Afeganistão não trouxe a paz nem a prosperidade ao país, e que a invasão americana do Iraque deixou "1 milhão de mortos e feridos e perdas milionárias para a economia desse país".
O presidente iraniano continuou as constantes referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", disse, e chamadas para uma reforma da ordem política internacional. As vaias de alguns grupos a Ahmadinejad começaram no momento em que ele subiu à tribuna, quando foi interrompido com gritos de "assassino" por dissidentes iranianos que foram a Genebra.
Ahmadinejad continuou dizendo que "perdoava" os que lhe tinham insultado, aos quais qualificou de "ignorantes". Membros de grupos judeus e ONGs favoráveis a Israel também protestavam na entrada da sala do Palácio das Nações, onde acontece a conferência.
A presença de Ahmadinejad em Genebra causou indignação de Israel, que nesta segunda-feira chamou a consultas seu embaixador em Berna, em protesto contra o encontro que o presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, manteve na noite deste domingo com o presidente iraniano.
Os nove países que boicotam a conferência são Israel, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia, e Alemanha.
Com Efe e France Presse


