Porta-voz diz que EUA dialogarão com Irã apesar de declarações "odiosas"
da France Presse, em Washington
Os Estados Unidos denunciaram nesta segunda-feira as declarações "odiosas" do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad contra Israel, mas reafirmaram sua vontade de abrir o diálogo com o Irã.
"Esta é, evidentemente, uma retórica odiosa", declarou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, considerando que o presidente americano Barack Obama havia tomado "uma boa decisão" ao se recusar a permitir a participação dos Estados Unidos na Conferência da ONU sobre o Racismo, em Genebra, onde Ahmadinejad fez suas críticas.
"É evidente que o presidente se opõe com veemência ao que foi dito, e de acordo com algumas imagens que vi, vários outros também se opuseram a elas", acrescentou.
Ahmadinejad acusou os aliados de terem "enviado migrantes da Europa, dos Estaods Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecerem um governo racista na Palestina ocupada", após a Segunda Guerra Mundial, em uma clara alusão a Israel.
Os representantes dos 23 Estados da União Europeia presentes na Conferência deixaram a sala sob as vaias de vários aliados do chefe de Estado iraniano.
Gibbs deu a entender, no entanto, que o incidente não diminuiu a disposição do governo americano de dialogar sem condições com o Irã.
"Continuamos a refletir sobre nossa política, e entendemos que, do ponto de vista da política externa, fazer as coisas da mesma forma que antes não produzirá provavelmente as mudanças que precisamos", declarou.
Um porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, foi mais claro, afirmando que essas declarações não eram incompatíveis com um diálogo. "Não descarto porque dissemos muito claramente que queríamos uma diplomacia direta com o Irã", declarou.
"Queremos ter um diálogo direto com o Irã, mas o Irã precisa fazer um certo número de coisas para voltar a agradar a comunidade internacional", acrescentou durante uma entrevista coletiva à imprensa.
"Se o Irã quiser uma relação diferente com a comunidade internacional deve abandonar essa retórica horrível", concluiu.
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