Sobrevivente do Holocausto diz que presidente do Irã fez "insulto"
colaboração para a Folha Online
da Efe
Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz e sobrevivente do Holocausto, afirmou nesta terça-feira que não consegue compreender como permitiram ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fazer comentários antissemitas durante a Conferência sobre o Racismo em Genebra.
"Israel deixou uma nação sem lar", diz presidente iraniano; assista
| Dan Balilty/AP |
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| Israelense joga flor em memória às vítimas do Holocausto; declaração de presidente iraniano causa polêmica no governo |
Nesta segunda-feira, durante um discurso no evento, o presidente iraniano acusou Israel de racismo contra os palestinos.
"O fato de que esta pessoa seja convidada à ONU é algo que não posso compreender. Por que ele teve permissão para dizer o que disse? Por que o presidente não o interrompeu? É algo que não compreendo", afirmou Wiesel, durante um encontro à margem da conferência. "A presença de Ahmadinejad e seu discurso foram insulto à nossa inteligência", disse Wiesel.
"Aqui estamos nas Nações Unidas, uma organização criada como uma resposta às atrocidades da Segunda Guerra Mundial, e temos que protestar contra um discurso antissemita", afirmou Wiesel.
Ahmadinejad, cujo país desenvolve um polêmico programa nuclear, já ameaçou no passado "apagar Israel do mapa" e considera o Holocausto um "mito".
Polêmica
No discurso em Genebra, o presidente do Irã acusou os ocidentais de terem enviado "imigrantes da Europa, Estados Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada". Nesta terça-feira, as declarações de Ahmadinejad provocaram manifestações entre membros do governo israelense que compararam a figura do presidente do Irã ao ex-ditador nazista, Adolf Hitler.
Durante o discurso de Ahmadinejad, os 23 embaixadores da União Europeia (UE) presentes abandonaram a sala em sinal de protesto e alguns militantes gritaram a palavra racista. Wiesel declarou que Ahmadinejad insiste com os comentários contra Israel porque "deseja entrar para a história do Islã como o primeiro e único líder islâmico que aniquilou o povo judeu".
"Que ele tenha estado aqui, hoje ou ontem, e que tenha falado o que falou é um insulto, um insulto a nossa inteligência, um insulto a nossa sensibilidade e um insulto a nossa memória", insistiu. Wiesel também disse que os ataques de Ahmadinejad contra Israel eram uma "injustiça para o mundo, porque ele é uma vergonha para todo o mundo, a diplomacia, as relações internacionais e para os que ainda acreditam nas pessoas".
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