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22/04/2009 - 14h06

Senado expõe cadeia burocrática que autorizou "torturas" nos EUA

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da Folha Online

Um relatório do Senado americano de 232 páginas que foi aberto nesta terça-feira (21) prova que as equipes do Pentágono também tinham autorização, da cúpula do governo do ex-presidente americano George W. Bush (2001-2009), para usar táticas de interrogatório rigorosas contra suspeitos de terrorismo, informou o jornal "The New York Times".

Segundo o jornal, o relatório, resultado de um inquérito de 18 meses de duração, documenta algumas técnicas --que os defensores de direitos humanos chamam de tortura-- aplicadas em prisões do Afeganistão; de Guantánamo; e do Iraque. Entre elas estão deixar os prisioneiros em "posições estressantes", impedi-los de dormir e usar cães para gerar medo.

Parte do relatório já havia sido revelado pelo "NYT" no final do ano passado. Na época, o então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, afirmou, por meio de um porta-voz, que o documento continha "acusações infundadas contra aqueles que serviram nossa nação".

Na semana passada, o governo do novo presidente, Barack Obama, abriu documentos da CIA (agência de inteligência dos EUA) a respeito das controversas táticas de interrogatório. Logo, veio à tona a informação de que um dos mentores do 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed, foi submetido a 183 simulações de afogamento durante interrogatórios.

Relatório

O relatório revelado pelo "NYT" conta que as técnicas usadas contra os prisioneiros suspeitos de terrorismo são aplicadas contra os próprios militares americanos em treinos de resistência a tortura. Em 2002, um cientista militar e um colega pediram a autorização do comando para aplicá-las nos detentos. Cerca de 15 técnicas foram liberadas. Em alguns meses, as técnicas receberiam aprovação de oficiais lotados no Afeganistão e no Iraque.

"Esse relatório mostra uma trajetória de papéis que segue da primeira autorização [dada por Rumsfeld] à Guantánamo, ao Afeganistão e ao Iraque", acusou o senador Carl Levin durante entrevista à mídia, nesta terça-feira.

Desde a semana passada, quando começou a liberar os documentos da CIA, o governo de Obama afirmou que estão sujeitos a investigação os altos funcionários e os peritos jurídicos que deram as justificativas legais para o uso de técnicas como os afogamentos simulados, mas estão livres de acusações os agentes de campo que praticaram esses atos.

Repercussão

O ex-vice presidente Dick Cheney tem sido o porta-voz do descontentamento dos membros do governo Bush com os movimentos de Obama na área de segurança nacional. Em meio à divulgação de dados, ele pediu que a CIA divulgue memorandos com os resultados obtidos a partir das polêmicas técnicas de interrogação.

O ex-diretor da CIA Michael Hayden (2006-2009) também já acusou Obama de comprometer a segurança nacional ao autorizar a publicação de relatórios e disse que isso encoraja grupos como a rede terrorista Al Qaeda.

 

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