Problemas com cédulas adiam fim da votação na África do Sul
colaboração para a Folha Online
A quarta eleição democrática da África do Sul desde a queda do apartheid, em 1994, terminou às 21h desta quarta-feira (16h de Brasília), mas as urnas continuarão abertas nos colégios em que ainda há filas ou onde faltou material para a votação. O governista Congresso Nacional Africano (CNA) espera que o resultado seja uma vitória por ampla margem de Jacob Zuma, apesar escândalos sexuais e de corrupção que teriam enterrado um político menos astuto e populista.
O CNA vê Zuma como o primeiro líder capaz de energizar eleitores desde o lendário Nelson Mandela. Mas os críticos dizem que Zuma é ligado a sindicatos e esquerdistas e não será capaz de cumprir as promessas de criação de empregos e uma forte rede de segurança social em meio à recessão mundial.
O próprio Zuma tem tentado diminuir as expectativas --e mesmo isso não tem reduzido a sua popularidade.
A maioria pobre e negra da África do Sul liga-se forma profunda com Zuma. Sua simpatia e leveza em plena campanha eleitoral, onde manteve sempre um largo sorriso e dançava frequentemente, lembra o estilo alegre de Mandela, em seus caracteres externos.
É também uma grande contraste com o distante e intelectual Thabo Mbeki, o rival que Zuma afastou da Presidência em um de seus primeiros passos no caminho para o poder.
De acordo as autoridades eleitorais, os resultados oficiais serão conhecidos no próximo fim de semana, mas os primeiros dados parciais podem começar a ser divulgados nesta quinta-feira, já que a apuração deve ter início imediatamente após o fechamento dos centros eleitorais.
Mais de 23 milhões dos 48 milhões de sul-africanos estavam habilitados nesta quarta-feira a escolher os 400 membros da Assembleia Nacional -que designa o presidente do país-- e os 90 ocupantes do Senado, além dos legislativos e autoridades das nove Províncias.
Neste pleito, o CNA espera obter maioria absoluta. O líder do partido, Jacob Zuma, tem a Presidência praticamente assegurada, enquanto que a oposição pretende ter uma maior representação no Parlamento para evitar que os governistas estejam em número suficiente para reformar a Constituição sem alianças.
Votação estendida
A Comissão Eleitoral Independente (CEI) informou que a decisão de manter os colégios eleitorais abertos foi tomada depois que o governista Congresso Nacional Africano (CNA) pediu a ampliação da jornada e a opositora Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês) ameaçou denunciar as autoridades pela falta de materiais em três Províncias.
Segundo o presidente da legenda Congresso do Povo (Cope, em inglês), Mosiuoa Patrick Lekota, todos os partidos questionaram a CEI por causa da falta de urnas e cédulas em um número razoável de colégios eleitorais das províncias de Gauteng, Cabo Ocidental e Estado Livre.
Em relação à falta de material eleitoral, a líder da DA, Helen Zille, ameaçou denunciar a CEI à Justiça por "incompetência para organizar eleições livres e limpas". Segundo a dirigente opositora, faltaram cédulas e urnas em 24 centros eleitorais de Gauteng e Cabo Ocidental, regiões onde a DA é forte.
O CNA pediu à CEI a ampliação no horário das eleições "para que todos os sul-africanos possam exercer seu direito democrático ao voto", segundo disse a porta-voz do partido, Jessie Duarte. Segundo o partido governista, falta material eleitoral principalmente em colégios de bairros pobres em várias províncias.
O problema surgiu nas últimas horas de um dia que transcorreu com normalidade. Segundo a presidente da CEI, Brigalia Bam, o pleito se desenvolveu "em paz, tranquilidade e harmonia", sem informações de "violência, ameaças ou intimidações" em nenhum dos quase 20 mil centros de votação do país.
Com Efe e Associated Press
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