Arqueólogos iraquianos acusam os EUA de "crime do século"
da France Presse, em BagdáAutoridades em antiguidades iraquianas acusaram hoje as tropas americanas de terem cometido o "crime do século" ao não proteger as obras dos museus iraquianos dos saques.
"O que aconteceu constitui o crime do século porque afeta a herança da humanidade", declarou o chefe do Museu Nacional Iraquiano, Donny George.
"Parece que havia outras prioridades [para os Estados Unidos] que não o museu de Bagdá", afirmou.
As tropas americanas que tomaram o controle da capital no dia 9 de abril observaram impassíveis os saqueadores que levavam as obras das civilizações mais antigas do mundo.
Operação planejada
Durante uma reunião em Paris, organizada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), cerca de 30 especialistas reunidos estimaram ontem que o saque ao Museu Nacional Iraquiano foi uma operação planejada e que foi realizada por grupos que obtiveram facilidades.
Os especialistas declararam que a coleção de 80 mil tábuas cuneiformes de argila do museu estava perdida.
O assessor americano para Assuntos Culturais, Martin Sullivan, pediu demissão para protestar contra o saque do Museu Nacional Iraquiano.
O FBI (polícia federal dos EUA) anunciou ontem que enviou agentes para investigar o caso.
A Interpol disse hoje que uma equipe partirá para os países vizinhos do Iraque para investigar o caso.
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