Projeção mostra vitória da centro-esquerda em meio a colapso econômico na Islândia
colaboração para a Folha Online
Os partidos de centro-esquerda devem vencer a eleição parlamentar deste sábado na Islândia, mostram projeções divulgadas pela TV estatal RUV, a partir dos resultados iniciais da apuração. Se a vitória se confirmar, esta será a primeira vez que os partidos esquerdistas conseguem a maioria dos assentos no Parlamento, uma reação clara ao colapso econômico que atingiu o país o país no ano passado, em meio à crise financeira global.
A aliança governista que reúne sociais democratas e verdes deve conquistar 35 e 36 lugares, uma maioria no Parlamento de 63 cadeiras.
"Há uma boa razão para sorrir. Se este for o resultado, é uma vitória histórica", afirmou a primeira-ministra Johanna Sigurdardottir, 66, líder da Aliança Social Democrata. Ela assumiu o governo em fevereiro deste ano, depois que protestos pela crise econômica derrubaram o gabinete anterior, liderado pelos conservadores.
As eleições estavam marcadas inicialmente para 2011, para foram antecipadas para que o governo do país tenha maioria no Parlamento.
Responsabilizado em grande parte pela crise, o Partido da Independência, de centro-direita, que liderava o governo anterior, deve conquistar 15 cadeiras segundo a projeção da RUV, ante 25 cadeiras nas eleições de 2007.
O novo governo precisará tomar decisões difíceis para conseguir cortar gastos, aumentar reservas e reduzir o desemprego. Espera-se que os partidos concordem em negociar a entrada da Islândia na União Européia, defendida pela primeira-ministra, mas rejeitada pelos verdes.
O governo do país de 300 mil habitantes teve que recorrer a uma ajuda de US$ 10 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI) quando viu um surto de prosperidade financeira transformar-se em um cenário de desastre econômico no curso de poucos meses.
Uma frase que se tornou comum no país reflete a nostalgia da prosperidade. "Isso é tão 2007", dizem os islandeses em referência aos dias do boom econômico que começou há dois anos, quando os habitantes se beneficiaram de uma onda de crédito e de desenvolvimento do setor financeiro, que atraiu capital estrangeiro e permitiu uma elevação súbita do nível de vida de boa parte da população de 300 mil pessoas da ilha.
Mas a crise financeira nos EUA, que se tornou mais aguda após a queda do banco americano Lehman Brothers, em setembro, secou o crédito internacional e deixou o país afundado em dívidas. O desemprego é crescente, e valor da moeda, a coroa, se esfarela.
A inflação disparou --foi de 15,2% em março--, e o FMI previu que a economia deve encolher cerca de 10% em 2009. Essa seria a maior queda no país desde que a Islândia ganhou a independência total da Dinamarca, em 1944.
Com Reuters e Associated Press
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