Mundo
26/04/2009 - 18h35

Canadá tem seis casos de gripe suína; EUA disparam emergência

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da Folha Online

Subiu para seis o número de casos de gripe suína confirmados pelo Canadá neste domingo. Todos os pacientes são pessoas que estiveram no México recentemente. No México, onde o surto do novo tipo de gripe suína começou, 22 pessoas morreram devido à doença e mais de 1.300 já foram contaminadas. Nos Estados Unidos, o total de casos confirmados chegou a 20 também neste domingo, e o governo declarou emergência de saúde pública.

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Dario Lopez-Mills/AP
Com máscaras, moradores da Cidade do México oram na igreja da Virgem de Guadalupe, padroeira do país, em meio a surto de gripe
Com máscaras, moradores da Cidade do México oram na igreja da Virgem de Guadalupe, padroeira do país, em meio a surto de gripe

Não é só a América do Norte que assiste com preocupação a escalada do número de casos de suspeitas e confirmações de gripe suína.

No Brasil, um homem que voltou de Cidade do México há cerca de dez dias foi internado com sintomas de gripe na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Segundo o infectologista Edenilson Eduardo Calore, que cuida do caso, a probabilidade de ser realmente gripe suína é pequena, e o homem está "clinicamente bem".

Mais 21 suspeitas da gripe suína estão sob investigação em países da Oceania, da Europa e Oriente Médio. Na Nova Zelândia, há dez suspeitas; na Espanha, sete; na Escócia, duas; na França, uma; e em Israel, uma. França e Reino Unido já descartaram suspeitas.

Margaret Chan, diretora da OMS (Organização Mundial da Saúde), reforçou a necessidade de todos os países adotarem medidas de prevenção à gripe suína. Segundo ela, a entidade está "muito preocupada", pois constatou que o vírus tem "claramente potencial pandêmico". Pandemia é o nome dado às epidemias de grande alcance geográfico, talvez global. "Países que ainda não foram atingidos devem aumentar sua vigilância."

O nível de alerta mundial da OMS para o problema é de 3, em uma escala que vai de 1 a 6.

Arte/Folha Online

América do Norte

De acordo com o prefeito de Cidade do México, Marcelo Ebrard, as duas mortes confirmadas na capital mexicana neste domingo ocorreram nas últimas horas. Mais cinco mortes suspeitas aconteceram, o que eleva o total de mortes suspeitas para 65. Mais 73 pessoas permanecem internadas à espera de diagnóstico, enquanto, em 59 casos, a gripe suína foi descartada. No total, mais de 1.300 pessoas já teriam sido atingidas.

Na Cidade do México, igrejas estão vazias; zoológicos foram fechados; as visitas a centros de detenção para adolescentes estão suspensas; e funcionários dos serviços de saúde procuram pessoas contaminadas nos aeroportos e terminais de ônibus. O presidente Felipe Calderón decidiu isolar qualquer pessoa com suspeita de gripe.

Nos EUA, só neste domingo, foram confirmados oito casos de gripe suína em Nova York, dois no Estado do Kansas e um no Estado de Ohio. Os outros casos já tinham sido confirmados na Califórnia (sete) e no Texas (dois). Devido ao avanço da doença, o governo declarou emergência na saúde pública, em manobra similar à usada em casos de catástrofes como furacões.

"Temos certeza de que vamos encontrar mais casos em todo o país. O comportamento do vírus é imprevisível, então, este número de infectados continuará subindo. Esperamos ver casos mais graves", afirmou o médico Richard Besser, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Todos os casos registrados nos EUA, por enquanto, são "leves".

No Canadá foram registrados dois casos na Colúmbia Britânica e quatro na Nova Escócia. No último, dois dos pacientes são estudantes da escola King's-Edgehill que viajaram para o México a passeio ao lado de mais cerca de 20 colegas. Conforme a médica Danuta Skowronski, por enquanto, nenhum dos doentes do Canadá precisou ser internado.

Outras regiões

Na Oceania, a Nova Zelândia mantém sob observação dez estudantes que, "provavelmente", contraíram a doença durante uma viagem da escola ao México. De acordo com o ministro da Saúde, Tony Ryall, nenhum estudante está seriamente doente e não há confirmação da gripe.

Na Europa, Espanha e França têm, respectivamente, sete e um casos de suspeita de gripe suína, sempre envolvendo pessoas que estiveram no México recentemente. Na Espanha, o diagnóstico dos casos suspeitos só deverá sair em dois dias, segundo a ministra de Saúde, Trinidad Jimenez. Para a ministra, a situação na Espanha ainda é de "tranquilidade", e não "emergência". Na França, três casos foram descartados, neste domingo.

Na Escócia, duas pessoas que chegaram do México no último dia 21 chegaram a um hospital com sintomas de gripe.

No Oriente Médio, o Ministério da Saúde de Israel mantém sob observação, em um hospital da cidade de Netânia, a norte de Tel Aviv, um homem de 26 anos que voltou do México com sintomas da gripe. A ordem é para que toda pessoa com suspeita de gripe seja mantida em quarentena até o diagnóstico final.

No Reino Unido, um tripulante da companhia aérea British Airways foi levado a um hospital de Londres com sintomas de gripe, mas testes também descartaram a hipótese de gripe suína.

Doença

O vírus da gripe suína identificada no México é do tipo influenza A --uma variação do H1N1-- e é transmitido de pessoa para pessoa. Ele possui DNA de vírus de aves, porcos e humanos, com elementos de vírus suínos europeus e asiáticos. Os sintomas são febre superior a 39ºC que aparece repentinamente, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para evitar o contágio, é recomendado usar máscara, não cumprimentar com a mão nem com beijo e evitar as aglomerações de pessoas.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA informou que o remédio antigripal Tamiflu --cujo nome genérico é oseltamivir-- e o Relenza --Zanamivir-- parecem ser eficazes contra a doença.

Diagnóstico

Há suspeitas de que o México tenha perdido dias ou semanas valiosos para identificar essa nova variação da gripe suína. De acordo com a agência Associated Press, a primeira morte causada por essa variação de gripe suína aconteceu no Estado de Oaxaca, no último dia 13, mas o México só enviou amostras de mucosa para análise cinco dias depois.

Naquele mesmo dia, o governo mexicano enviou equipes de profissionais da saúde a hospitais para procurar mais pacientes com gripe severa ou sintomas de pneumonia. Eles perceberam, então, que estavam morrendo principalmente pessoas com 20 a 40 anos, embora os idosos e as crianças sejam as vítimas mais comuns das gripes --o mesmo ocorreu na gripe espanhola, que matou ao menos 40 milhões de pessoas entre 1918 e 1919.

De acordo com o secretário de Saúde mexicano, José Cordova, os laboratórios do país não tinham dados suficientes para detectar a variação inédita do vírus. Para o México, foi só na quarta-feira passada (22) os casos deixaram de ser tratados como remanescentes da época da gripe, que vai de janeiro a fevereiro, para ser casos de um vírus inédito.

Com Efe, Reuters e Associated Press

Comentários dos leitores
Caro Eugenio Araujo,

A prescrição e dispensação do Olseltamivir fora dos critérios previstos no protocolo do Ministério da Saúde ficam sob a responsabilidade conjunta do médico responsável pela prescrição e da autoridade de saúde local. Nesse caso, a autonomia do profissional está em decidir ou não pela prescrição do medicamento.

Quanto à venda do medicamento nas farmácias, como já foi dito anteriormente, o Ministério da Saúde não a proibiu, porque não tem atribuição para isso. A falta do remédio ocorreu porque a empresa fabricante não conseguiu suprir a demanda do mercado. Segundo o laboratório, o remédio estará disponível nos estabelecimentos comerciais assim que suprir a demanda dos governos. Continuamos à disposição.
fernanda.scavacini@saude.gov.br
Assessoria de Comunicação
Ministério da Saúde
sem opinião
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eugenio araujo (87) 10/12/2009 00h17
eugenio araujo (87) 10/12/2009 00h17
MS
Continuo afirmando que no seu "Protocolo" diz que a prescrição de medicamentos fora do protocolo deve ser validado pela autoridade de Saude local. Isto nao está escrito????Do momento que algo tem que ser em conjunto, não existe autonomia individual, ou seja, o medico que prescreve fora do protocolo deve ser validado pela autoridade de saude local. Então onde esta a autonomia do medico, ou voces mudam o protocolo, ou deixem de dizer mentiras. Pois vale e o que esta escrito em procedimento.
E por falar no tamiflu, quando voces vão deixar de estatizar o mesmo?
Em nenhum pais existe (vamos dizer + 2) . existe esta proibição de vendas em farmacias, ou como voces dizem " o labratorio esta atendendo demanda elevada". Por que no Brasil é diferente dos outros paises, o laboratorio instalado aqui é diferente dos outros paises, pois consegue atender a demanda do mundo, menos do Brasil. Tenha a santa paciencia. não somos bobos. Voces dificultaram o acesso ao medicamento atraves de prescrição medica. Não temos direito de livre escolha de medicos e comprar o medicamento onde quisermos (obs. com prescrição medica, que fique bem claro).
5 opiniões
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Olá Ana Leal,

O Comitê Assessor para Vacinas da Organização Mundial de Saúde divulgou uma nota no dia 4/12 informando que todas as vacinas com e sem adjuvantes foram testadas e são seguras.
Até o momento não se tem evidenciado aumento da ocorrência de eventos adversos graves, em relação à média observada nos últimos anos para outras vacinas.
Para mais informações:
fernanda.scavacini@saude.gov.br.
Assessoria de Comunicação
Ministério da Saúde
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